
Em 1931, uma expedição do governo federal nas regiões que hoje compreendem o Noroeste, Oeste e Sudoeste do Paraná, revela um cenário alarmante: dos 10 mil habitantes, 95% falam o espanhol. A moeda corrente é o peso e a produção do local é escoada para Argentina e Paraguai. Esse é apenas um dos fatos de uma página esquecida da história nacional resgatada pelo historiador Arno Bento Mussoi, em “Território Federal do Iguaçu – perspectivas para o desenvolvimento regional.”
O diagnóstico apresentado a Getúlio Vargas amedronta ainda mais o presidente da República. Ao assumir o poder, um ano antes, uma das coisas que mais temia era perder territórios a oeste para os países vizinhos. Desde a colonização e até os dias atuais, o leste foi esmagadoramente mais povoado em relação às terras brasileiras do “outro lado”.
A solução apontada por Vargas é a criação de vários territórios federais. Funcionando numa configuração semelhante à dos estados, seria, no entendimento do mandatário, a forma de habitar e desenvolver a porção oeste. Entretanto, como até 1937 Getúlio governa sob a tutela do Congresso Nacional, o presidente não consegue levar o projeto à frente, em razão da resistência dos estados que cederiam regiões para que ele se concretizasse.
É a partir do Estado Novo (1937-1945), quando Getúlio fecha o Congresso e passa a governar ditatorialmente, que consegue enfim criar os territórios. Cria seis: Amapá, Fernando de Noronha, Guaporé (Rondônia), Ponta-Porã, Rio Branco (Roraima) e Iguaçu. Este último, existente de 1943 a 1946, compreendia todo o Oeste, Noroeste e parte do Centro-Sul e Sudoeste do Paraná, além de todo o Oeste de Santa Catarina.
Uma certa Vila Xagu, então distrito de Guarapuava – numa região que, no decreto de criação do Território, sequer era incluída – seria escolhida capital. A intenção de ficar próximo da “civilização” (leia-se Guarapuava) pesou na decisão do governador nomeado, João Garcez do Nascimento. De vila para cidade, Xagu vira Iguaçu que, após a dissolução, torna-se a atual Laranjeiras do Sul.
E embora o TFI compreendesse um contingente considerável de terras, existiam somente cinco municípios: Xapecó (com x, grafia da época), abrangendo todo o Oeste catarinense; Clevelândia e Mangueirinha, das quais se desmembraram Dois Vizinhos, Pato Branco e Francisco Beltrão; Foz do Iguaçu, que originou Cascavel, Umuarama, Guaíra, Toledo, entre outras; além da capital Iguaçu.
Através de “Território Federal do Iguaçu – perspectivas para o desenvolvimento regional”, Arno Mussoi nos leva a para uma viagem de descobertas sobre a história dessas regiões do Paraná e Santa Catarina. Com dados inéditos da época, o autor demonstra como o Território Federal conseguiu desenvolver as localidades com comprovações que vão desde a documentos fiscais a informações minuciosas, como das escolas existentes e criadas.
A obra revela também as razões que culminaram com o fim do Território, em 1946, e o legado deixado para a o desenvolvimento regional – e que até hoje inspira a criação de um “Estado do Iguaçu”.
Referência
Título: Território Federal do Iguaçu – perspectivas para o desenvolvimento regional;
Gênero: História
Autor: Arno Bento Mussoi;
Número de páginas: 183;
Editora: Xagu;
Ano de lançamento: 2015.




