Lula escolhe Gleisi Hoffmann como ministra da articulação política

A posse será dia 10 de março; vereadora de Londrina será deputada federal.


Há 15 dias, no Jornal de Beltrão, deputadas Luciana Rafagnin e Gleisi Hoffmann (presidente nacional do PT) e o jornalista Badger Vicari: entrevista descontraída. Foto: Leandro Czerniaski/JdeB/Arquivo.

Estadão/Conteúdo e JdeB – O presidente Lula (PT) escolheu a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para ser a ministra de Relações Institucionais no lugar de Alexandre Padilha, anunciado como próximo ministro da Saúde. A decisão de Lula é considerada uma reviravolta. Até poucos dias atrás, o mundo da política dava como certo que Gleisi assumiria a Secretaria-Geral da Presidência da República no lugar de Márcio Macêdo. Lula se reuniu com Gleisi ontem pela manhã e a convidou para o cargo. “Gleisi vai substituir o Alexandre Padilha, que foi recém-indicado para o Ministério da Saúde. A posse da nova ministra está marcada para o dia 10 de março”, disse a nota da Secretaria da Comunicação.

Gleisi em Francisco Beltrão

Há 15 dias, Gleisi esteve em Francisco Beltrão, no encontro regional do PT. Na entrevista para o Jornal de Beltrão, disse que a sua expectativa, depois de deixar a presidência nacional do PT, era se fixar na Câmara Federal, priorizando seu mandato. Agora como ministra, Gleisi se licencia do mandato e quem assume será a vereadora de Londrina e suplente de deputada federal Lenir Cândida de Assis (PT).

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Novo polo de poder

A ida de Gleisi Hoffmann para a Esplanada dos Ministérios também cria um novo polo de poder no Palácio do Planalto. Hoje, a principal força política no governo abaixo de Lula consiste nos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secom), ambos vindos da Bahia e aliados de longa data. Na avaliação de petistas, Gleisi tem tamanho suficiente para contrariá-los, se achar necessário. Ao longo de todo o governo, Gleisi expôs divergências com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Aliados da petista costumam dizer que, como presidente do partido, ela tinha a obrigação de tentar puxar o governo para a esquerda, daí às falas que contrariavam a política de Haddad. Há uma avaliação de que a disciplina que exige um cargo no primeiro escalão do governo fariam as divergências entre Gleisi e o ministro da Fazenda diminuírem.

Gleisi elogiou Haddad

Um sinal nesse sentido foi dado pela própria petista no fim de semana, durante a festa de 45 anos da legenda. Ela deu os parabéns a Haddad por seu trabalho na área fiscal. “O desequilíbrio orçamentário, estamos resolvendo. Colocando um compromisso com as contas públicas. Nós estamos promovendo uma dos maiores ajustes fiscais da história desse país”, disse ela em discurso.

PT terá presidente-tampão até junho

Com Gleisi no governo a partir de 10 de março, o PT precisará de um novo quadro para presidir o partido até junho, quando haverá eleições. O nome mais citado para esse mandato-tampão é do líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE). Lula quer eleger Edinho Silva como presidente do partido no meio do ano.

Carreira

Gleisi Helena Hoffmann tem 59 anos, é advogada, e já foi presidente do PT do Paraná. Foi eleita senadora em 2010, foi ministra da Casa Civil de 2011 a 2014, durante o governo de Dilma Rousseff. Em 2018 e 2022 foi eleita deputada federal. Em Beltrão, foi a mais votada para a Câmara em 2022, com 7,6 mil votos.

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