
O pato-branquense Guto Silva, 48 anos, titular da Secretaria das Cidades, é um dos pré-candidatos do PSD ao governo do Estado para as eleições de 2026. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal de Beltrão, feita por WhatsApp, ele comenta sobre a sucessão, defende a unidade do time do governador e fala também sobre o Brasil e a polêmica com os EUA.
1) Quando você acha que o governo deve definir quem será seu candidato ao Palácio Iguaçu: até o final deste ano? Em março de 2026? Ou só no meio do ano que vem, no período das convenções?
Guto Silva – Primeiramente, estou feliz e orgulhoso em poder ser considerado um possível sucessor do governador Ratinho Júnior. Eu participo desse governo desde o primeiro dia com muito orgulho. Fui secretário da Casa Civil, do Planejamento e agora das Cidades. Mas não estou ansioso com essa definição. Isso é um processo natural, que vai amadurecer no tempo certo.
O mais importante é manter o time unido, não perder o ritmo e preservar a filosofia de governar que deu certo no Paraná. Esse projeto do Ratinho Júnior, o “Método Paraná”, é uma filosofia de trabalho, uma forma de governar. Acredito que essa filosofia precisa avançar para consolidar esses conceitos na gestão pública. Temos espaço para uma composição inteligente, sem atropelos, respeitando o momento e garantindo continuidade.
2) Que critério você defende como o mais importante para a escolha do candidato governista (pesquisa de intenção de voto, filiação partidária, idade, experiência executiva)?
O fundamental é que esse nome tenha experiência comprovada, tenha o que mostrar, e que apresente um conhecimento amplo do Estado.
Também vejo como essencial que esse nome esteja alinhado ao método e à filosofia de gestão que construímos, e não apenas que sejam considerados fatores isolados como idade ou filiação.
Esse Método Paraná tem funcionado tão bem que resulta em uma altíssima aprovação do governo e impulsiona o governador para voos maiores. A gente sente o governo presente e atesta essa aprovação em todo canto do Estado que a gente vai.
O governador já pontuou que ‘em time que está ganhando não se mexe’, e nós pretendemos dar continuidade a esse trabalho iniciado por ele. Precisamos de alguém que dê sequência ao projeto, mantenha o foco em resultados e preserve a união da equipe.
3) O que você projeta para o Paraná para o período de 2027 a 2030 que seria, digamos, um grande salto de qualidade para o Estado?
O Paraná hoje é a 4.ª economia do Brasil, com excelentes posições no Ranking de Competitividade dos Estados e em Eficiência das Máquina Pública. Vejo o Estado subindo ainda mais de patamar: ser o primeiro da América Latina em educação, avançar em sustentabilidade, manter o crescimento econômico acima da média nacional e consolidar infraestrutura, habitação, saneamento e energia para sustentar esse avanço. Nos próximos cinco anos é previsto que haja mais idosos que crianças no Estado, e o governante deve ficar atento para que essa transição seja feita sem sobressaltos e com equilíbrio na estrutura produtiva e de cuidado.
Também é preciso que haja investimento massivo em tecnologia para melhorar a qualidade de vida do cidadão. O objetivo principal é aproveitar o bom momento que o Paraná vive para transformar conquistas em legado.
Não há sucesso sem trabalho, esforço e dedicação. O Estado merece continuar avançando.
4) O governador Ratinho Júnior está bem avaliado, mas nas pesquisas para a sucessão estadual o senador Sergio Moro está na frente. Por que essa contradição?
Isso faz parte do debate pré-eleitoral e da dinâmica de pré-campanha. A aprovação do governo Ratinho Júnior é muito alta porque entregamos resultados concretos e mudamos o patamar do Paraná.
O desafio é apresentar um sucessor que represente essa continuidade e que a população reconheça como apto a manter esse ritmo. Precisamos ter inteligência coletiva para dar continuidade a esse projeto que é importante para o Estado. O Paraná está embalado.
5) O nome do governador Ratinho Júnior está aparecendo no cenário nacional para a corrida presidencial. Você acha que o campo político da direita deve se unir já no primeiro turno, ou somente no segundo turno — permitindo que no primeiro turno todos (Ratinho, Zema, Tarcísio e Caiado) sejam candidatos?
O Brasil precisa de nomes novos para escapar da polarização que tem sido tão prejudicial aos rumos do país. Além disso, é necessário que a gente tenha governantes focados em uma agenda clara de país, independentemente de nomes.
A polarização pode ajudar a definir posições ideológicas, mas atrapalha quando não se discute um projeto de nação. União no primeiro ou no segundo turno é uma decisão estratégica, mas o fundamental é termos propostas consistentes e alinhadas ao que o Brasil precisa.
6) O governo federal está certo em “peitar” os EUA e permanecer na trincheira dos Brics? Qual a sua avaliação dessa crise e para onde estamos indo?
O Brasil precisa ter clareza de rumo e um plano nacional consistente, seja qual for o bloco com o qual se alinhe. Hoje, o país está à deriva, sem agenda clara, e isso compromete a atração de investimentos e a confiança. O Paraná mostra que, com planejamento e metas, é possível ter resultados concretos — e o Brasil deveria seguir nessa linha.




