Esse tipo de procedimento pode ser feito em Francisco Beltrão há oito anos, desde quando foi criado o Ibcor.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Francisco Beltrão divulgou na última segunda-feira, 13, que o prefeito Antonio Pedron havia passado por um cateterismo e uma angioplastia, pois uma de suas principais artérias do coração estava com mais de 70% de obstrução. O procedimento foi realizado pelo cardiologista e hemodinamicista Márcio Archanjo, que está há sete anos salvando vidas de pacientes que passam pelo Instituto Beltronense do Coração (IBCOR), que fica em anexo à Policlínica São Vicente de Paula. O cardiologista e hemodinamicista Luís Sérgio Carvalho Luciano e o anestesista Odirlei João Titon também participaram do procedimento junto com o doutor Márcio, assim como as enfermeiras Andressa Camile Borges Blasczak e Matricia Marta Piske Menger. O prefeito Pedron já recebeu alta ontem e hoje deve voltar às atividades normais na Prefeitura de Francisco Beltrão.
“O senhor Pedron veio pra nós já com uma angiotomografia coronariana que já apresentava algumas alterações, indicando que alguma das artérias dele poderia estar obstruída. Nós fizemos o cateterismo dele, pra saber se a lesão era grave ou não. Junto ao cateterismo, nós fizemos o ultrassom e uma medida de fluxo coronário chamada DFR. E vimos que a lesão era considerável. Com isso, a gente indicou a angioplastia, que foi feita no mesmo momento, com dois stents na artéria descendente anterior, com um bom resultado final. A angioplastia foi um sucesso, o que vai dar pro prefeito um ótimo prognóstico e uma boa qualidade de vida”, comenta o médico, que explica um pouco melhor sobre o que é o DFR: “DFR é uma marca registrada de uma companhia em que conseguimos fazer um diferencial através de pressões no fluxo coronário, antes e depois das lesões. E existe um índice pra a gente saber se está faltando sangue depois da lesão ou não. E através disso a gente pode tomar as decisões, se precisa ou não mexer na artéria.”
O que é o stent?

do prefeito Antonio Pedron que recebeu dois stents. Foto: Adolfo Pegoraro/JdeB.
Márcio Archanjo diz que a Policlínica São Vicente de Paula possui os melhores equipamentos e materiais do mundo quando o assunto é hemodinâmica, que é um campo médico e um conjunto de exames minimamente invasivos que estudam e tratam o fluxo sanguíneo e a função do sistema cardiovascular, incluindo o coração e os vasos sanguíneos. “O stent é uma prótese metálica que a gente coloca dentro da artéria coronária, que faz com que essa artéria fique bem aberta. Hoje em dia, só usamos os stents farmacológicos, que têm uma pequena possibilidade de fechar de novo, o que chamamos de reestenose. Nossos equipamentos e materiais são os melhores do mundo, só trabalhamos com os melhores laboratórios. Inclusive, a empresa que fornece grande parte do material pra nós, lançou um stent novo no mundo faz três meses e a gente já deve receber até o fim do mês essa prótese ainda mais moderna”, comenta o cardiologista.
Quando a angioplastia é indicada?
“Nós normalmente só indicamos a angioplastia pra lesões acima de 70% de obstrução. Normalmente os pacientes têm algum sintoma ou fazem exames como o ecostress, a cintilografia ou a angiotomografia, mostram alterações nesses exames, e aí é indicado fazer o cateterismo. Que só aí conseguimos ver a quantidade de lesões, se são graves ou não, e em lesões que temos dúvida, usamos esses indicadores de fluxo pra fazer ou não o procedimento. Tem vezes que a gente faz o cateterismo, mas não é indicada a angioplastia, então em cada caso é avaliado o melhor procedimento”, afirma o médico, que lembrou que muitas pessoas confundem o cateterismo com a angioplastia, que são dois procedimentos diferentes: “O cateterismo não é um tratamento, é outro exame em que conseguimos fazer um diagnóstico preciso da quantidade e, principalmente, do grau de obstrução que se tem.”
Quais sintomas?
Márcio Archanjo também comenta sobre ficar atento aos sintomas: “Se tiver dor no peito, nos braços ou no pescoço, aos esforços, procurar um atendimento médico, para que essa pessoa possa estar com uma lesão grave, que se for diagnosticado antes de enfartar, a recuperação é normalmente perfeita, sem perdas de função ou de qualidade de vida.”
Em caso de infarto, o tempo é crucial
O médico diz também que o ideal é tentar identificar a obstrução da artéria antes de chegar a um infarto, mas se isso acontecer, levar a pessoa para uma casa hospitalar o quanto antes é crucial: “Em caso de infarto, o tempo é crucial. Os pacientes que chegam pra nós com menos de quatro horas, a chance de uma recuperação quase total é muito grande. Os que chegam de 6 a 8 horas, há uma melhora significativa. Os que chegam em até 12 horas, nós ainda conseguimos uma melhora boa nesses pacientes. Mas se passa muito mais tempo do que isso, a melhora é muito pequena. Então o tempo é crucial, tanto em infarto, como em AVC (acidente vascular cerebral), que são os famosos derrames, que também fazemos o procedimento aqui. Nos derrames, se o paciente chega pra nós com até seis horas de evolução, um paciente que provavelmente ia ficar acamado, nós temos uma chance de mais de 50% de devolver uma vida produtiva pra essa pessoa.”






