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O mês de abril é marcado mundialmente por iniciativas de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), em referência ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
O TEA trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada principalmente por diferenças na comunicação e na interação social, além da presença de comportamentos repetitivos e interesses restritos. Pessoas autistas também podem apresentar sensibilidade sensorial aumentada ou diminuída a estímulos como sons, luzes, cheiros e texturas.
A ciência ainda não identificou uma causa única para o TEA, mas diversos estudos indicam que a condição está associada a uma combinação de fatores genéticos e ambientais que influenciam o desenvolvimento do cérebro, especialmente nos primeiros anos de vida.
Os sinais costumam surgir ainda na infância e podem incluir dificuldade em manter contato visual, desafios para compreender expressões e emoções, necessidade de rotinas muito estruturadas ou forte interesse por determinados temas.
“Como se trata de um espectro, essas características variam bastante de pessoa para pessoa. Dependendo do grau de suporte necessário, o autismo pode impactar diferentes aspectos da vida cotidiana, como a aprendizagem, as relações sociais, a autonomia e a adaptação a ambientes novos, tornando importante o acompanhamento especializado e estratégias de apoio adequadas ao longo da vida”, explica o psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo, Marcelo Freitas.
O diagnóstico clínico (ou seja, não existe um exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmar o autismo) é feito por uma equipe multidisciplinar que pode envolver profissionais como neuropediatras, neurologistas, psiquiatras infantis, psicólogos, pediatras do desenvolvimento, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicopedagogos; realizado a partir da observação do comportamento da criança em casa ou na escola, para compreender melhor como ela se desenvolve no dia a dia, ouvindo a família e educadores.
Por tratar-se de um transtorno, uma condição do neurodesenvolvimento que vai acompanhar a pessoa ao longo da vida – e não uma doença – o TEA não tem cura. “Quanto antes os sinais são percebidos, maiores são as possibilidades de intervenções e terapias que proporcionam melhor desenvolvimento e qualidade de vida para o indivíduo”, acrescenta Freitas.
Formas e sinais do autismo
O TEA recebe esse nome justamente porque não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. “As características podem variar bastante em intensidade, forma de apresentação e impacto na vida cotidiana. O conceito de espectro existe justamente para mostrar que o autismo não é uma condição única e uniforme. Cada pessoa apresenta combinações próprias de habilidades e desafios, o que exige estratégias de acompanhamento e apoio individualizadas”, ressalta a mestre em educação especial Teca Antunes.
Formas: o TEA engloba diferentes manifestações que variam em intensidade e características, podendo incluir desde quadros mais leves, com linguagem e cognição preservadas, mas dificuldades na compreensão de aspectos sociais da comunicação; até condições mais complexas, marcadas por desafios significativos na interação social, na comunicação verbal e por comportamentos repetitivos.
Em alguns casos, os sinais aparecem precocemente no desenvolvimento infantil, enquanto em outros pode haver regressão de habilidades já adquiridas. “De modo geral, o espectro é caracterizado por diferentes níveis de suporte necessários, além de possíveis sensibilidades a mudanças de rotina”, explica Teca;.
Níveis: são definidos com base na quantidade de suporte que cada pessoa necessita no dia a dia, refletindo a diversidade de manifestações do espectro.
Essa classificação auxilia profissionais e famílias a compreender melhor as necessidades individuais, que podem variar desde dificuldades mais leves nas interações sociais e na adaptação a mudanças, até quadros em que há comprometimentos mais significativos na comunicação, no comportamento e na autonomia, exigindo níveis mais intensos de apoio para a realização de atividades cotidianas.
“Os níveis do TEA não representam uma ideia de severidade, mas indicam principalmente o grau de suporte que a pessoa precisa para se comunicar, interagir socialmente e lidar com as demandas da rotina”, explica Teca Antunes.
Sinais: os sinais mais comuns envolvem dificuldades na comunicação e na interação social, comportamentos repetitivos, apego a rotinas, interesses restritos e possíveis sensibilidades sensoriais, além de desafios na compreensão de aspectos sociais e na adaptação a diferentes situações do dia a dia.
“Os primeiros indícios costumam aparecer na infância e podem envolver atraso no desenvolvimento da linguagem, menor contato visual ou dificuldades na interação social. Nem todas as pessoas que estão dentro do espectro apresentam os mesmos sinais, e a intensidade pode variar bastante”, explica a diretora Teca Antunes.






