
Arquivo JdeB
O Paraná alcançou em 2026 o melhor desempenho para o mês de março nas exportações de carne suína desde o início da série histórica, em 1997. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Departamento de Economia Rural (Deral), com base na plataforma Comex Stat/MDIC.
Durante o mês, o estado exportou 21,36 mil toneladas, volume 10,1% superior ao registrado em março de 2025, o que representa um aumento de 1,96 mil toneladas. O resultado reforça uma sequência de recordes mensais observada há 21 meses consecutivos, iniciada em julho de 2024.
No ranking histórico, março de 2026 aparece como o quarto maior volume mensal já exportado pelo Paraná. Os melhores resultados seguem concentrados no segundo semestre de 2025, com destaque para setembro (25,18 mil toneladas), outubro (22,18 mil toneladas) e dezembro (22,12 mil toneladas).
As Filipinas lideraram como principal destino da carne suína paranaense em março, com a importação de 4,64 mil toneladas, alta de 86,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na sequência aparecem Hong Kong (3,45 mil toneladas, queda de 27,2%), Uruguai (3,14 mil toneladas, recuo de 14,5%), Argentina (2,61 mil toneladas, alta de 8,0%) e Singapura (2,22 mil toneladas, aumento de 9,4%). Também figuram entre os compradores Vietnã, África do Sul, Costa do Marfim, Peru e Libéria, com variações distintas, incluindo a abertura de novos mercados.
Apesar do desempenho expressivo no comércio exterior, o mercado interno da suinocultura brasileira enfrenta um momento de desvalorização. Segundo o Resumo Executivo Semanal nº 15 da Conab, a queda nos preços reflete o desequilíbrio entre a oferta elevada e a demanda enfraquecida. Em Santa Catarina, principal estado produtor, o preço médio semanal do suíno integrado foi cotado a R$ 6,95 por quilo, com recuo de 1,8% na semana e queda acumulada de 1,3% no ano. A concorrência com a carne de frango, aliada ao excesso de produto no mercado doméstico, tem pressionado as cotações para baixo.
Exportações: papel fundamental
Diante desse cenário, as exportações têm desempenhado papel fundamental na sustentação do setor. O volume recorde embarcado em março contribui para escoar parte da produção excedente, reduzindo o impacto da baixa demanda interna.
Ainda assim, a análise técnica da Conab aponta cautela no curto prazo. A tendência é de continuidade na pressão sobre os preços, com o consumo retraído e o mercado ainda ajustando o elevado nível de oferta disponível.






