O bordel e a Igreja


História dos anos 70 traz solução inusitada de empresário e reflexão sobre passividade.


Na década de 70, em Curitiba, o industrial Leno T, que se tornaria, com o passar dos anos, um dos maiores empresários do Paraná, com múltiplos investimentos, possuía uma empresa no bairro de Santa Felicidade. Hoje, aos 84 anos, ele mantém-se ativo e leva uma vida movimentada.

Leno recorda um episódio dos anos 70 quando sua indústria tinha cerca de 200 funcionários. Ele costumava pagar os salários em duas parcelas, nos dias 15 e 30 de cada mês e estranhava porque, embora os pagamentos estivessem em dia, seguidamente recebia a visita de mulheres dos funcionários reclamando que os maridos estavam sempre sem dinheiro e não levavam alimentos para casa, muitas vezes, faltava o leite das crianças.

Leno começou a investigar e acabou descobrindo a causa do problema. Funcionava, bem próximo da indústria, um pequeno bordel frequentado pelos funcionários de sua empresa que ali gastavam boa parte dos seus ganhos.

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O empresário passou a buscar uma forma de resolver o problema. Foi aí que ele lembrou de um amigo, muito bom de conversa e não muito afeito ao trabalho e foi procurá-lo. “Eu tenho uma casa ali perto da empresa, eu cedo essa casa a você e custeio as despesas para você montar ali uma igreja evangélica”.

O amigo achou a ideia interessante e topou o desafio. Em poucos dias a Igreja estava estruturada, realizando seus cultos e logo começou a atrair fiéis.

Nesse meio tempo, Leno conversava com os funcionários aconselhando-os a usar melhor o salário, sugerindo que trocassem as visitas à casa de prostituição pela igreja e veriam que isso traria bons resultados, pois poderiam guardar dinheiro e progredir financeiramente.

Aos poucos alguns funcionários passaram a frequentar a Igreja e foram seguidos por outros, deixando de gastar o salário com as meninas do bordel. Os trabalhadores sentiram os efeitos da mudança; ao invés de torrar o dinheiro que recebiam, passaram a pagar o dízimo de 10 por cento à Igreja, mas ficavam com 90 por cento do salário.

E assim terminaram as reclamações das esposas dos funcionários. No fim foi um bom negócio para todo mundo. Quem me contou essa história foi o Ézio Klaus, um beltronense que tornou-se cidadão do mundo.

Não é normal

Um dia o Brasil vai acordar para as gritantes irregularidades cometidas por seus dirigentes e pela mais alta corte do Judiciário.

Então olharemos para trás e sentiremos vergonha de termos convivido e aceitado tantas injustiças. E vamos nos arrepender dessa estranha passividade que deixou as coisas chegarem ao estágio em que estão.

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