No interior de Pérola d´Oeste, Valmor Dotto, experiente horticultor, diz que o cuidado tem sido redobrado para manter a qualidade de suas folhagens.

Jônatas Araújo/ JdeB
Até mesmo as hortaliças, que são produzidas em estufas com ambientes mais controlados, estão sofrendo durante esse período de estiagem em Pérola d’Oeste. Horticultores têm relatado dificuldade com a qualidade da planta e no tempo de maduração.
No interior do município, Linha Vitória, o horticultor Valmor Dotto diz que tem sido um período desafiador até mesmo para ele que trabalha com verduras hidropônicas.
O problema não está apenas na disponibilidade de água, mas no tempo seco. Com o calor forte e falta de umidade no ar, as verduras maduram mais lentamente e ficam suscetíveis a pragas.
“Dá problema porque o ar tá seco. A verdura tem água, mas precisa de umidade também. Senão ela para de crescer, começa a vir inseto. Aí tem que ir molhando por cima, de tardezinha, pra segurar um pouco. Se não fizer isso, a folhagem pode ficar ressecada e perde a qualidade.”
Mercados e escolas dependem de Valmor

Jônatas Araújo/ JdeB
O trabalho do horticultor começa cedo. Pula da cama às 5 horas e prepara o chimarrão. Quando está apurado, não tem café, mas quando o tempo está mais tranquilo, na mesa vai polenta, pão e salame. Ele ri e diz que é coisa leve para aguentar o puxo do dia.
Valmor conta com a ajuda da sua esposa, Dirce, com quem é casado há 40 anos. Recentemente ela teve uma fratura no pé e está se recuperando.
Experiente na horticultura, ele diz que o serviço do dia a dia é leve. Caminha pelas baias e cuida das verduras.
Mas o volume de produção é grande. Só de morango, a propriedade tem mais de 20 mil pés, com média de cerca de 600 gramas por planta. Na conta rápida, a capacidade pode chegar a 12 toneladas ao longo do ciclo.
Além do morango, ele cultiva alface, rúcula, agrião, cebolinha e outras hortaliças em sistema hidropônico. No solo, ele cultiva couve, pepino, repolho e brócolis. Ele também tem um pomar de bergamotas e laranjas.
A distribuição é feita pela própria família. “A hora que termina de colher a gente sai vender. Tem época que produz menos e tem época que produz mais. Quando dá mais produção, às vezes, chega 10 horas da manhã e a gente ainda nem saiu porque ainda tá colhendo. Mas a gente se organiza pra tentar sair mais cedo e fazer as entregas.”
Na região, Valmor já conquistou uma carteira de clientes fiéis. Ali pelas 7 horas o telefone já começa a tocar para fazer os pedidos. Escolas, restaurantes e mercados, todos querem o produto fresco que sai da horta e vai para a mesa no mesmo dia.
“Hortifruti é uma renda que gira todo dia. Todo dia você colhe, pesa e já sai vender. ‘Traz isso hoje, traz aquilo’, eles já me chamam para escolher o produto. Eu ganho dinheiro todo dia.”
Trocou o banco pelo campo
Antes de lidar com as hortaliças, Valmor foi bancário no antigo Bamerindus. Saiu da instituição na década de 1970, e desde lá já são mais de 40 anos na lavoura.
Ao falar da decisão que de sair do mundo corporativo, ele ri e diz: “tu sabe, às vezes, é melhor trabalhar forçado do que viver na boemia. Eu não vestia a camisa do banco. Saí de lá e vim pro campo. Imagina se não é bom tu levantar e olhar o morango já produzindo, passar por ali nas baias, cuidar das plantas, vê crescendo, colher pra vender. O pessoal já ligando cedo. É gostoso trabalhar assim. Isso anima a gente.”
Antes ele vivia em terra arrendada na Linha Bom Plano. Adquiriu a propriedade na Linha Vitória, e hoje é um dos maiores horticultores de Pérola d´Oeste. A área de cultivo chega a mais de 2 mil metros quadrados entre as estufas e a céu aberto.





