9 de junho de 1978 – Sexta-feira
Hoje foi o dia do interrompendo ou seja, o dia da folga, dia que todo mundo pode conversar. Foi o dia da passagem da primeira para a segunda semana.
O dia todo, praticamente, foi preenchido com recreações, brincadeiras e um pequeno retiro, apesar de toda a chuva que caiu neste dia aqui em Itaici.
Conheci também os noviços jesuítas.
A experiência que o Giovani me contou de sua própria vocação me impressionou. O Luís Carlos me falava que ao ouvir falar da morte do Pe. João Bosco Burnnier no Mato Grosso, despertou nele o desejo de substituí-lo, agora é noviço jesuíta.
10 de junho de 1978 – Sábado
Já estamos na segunda semana (segunda etapa) dos exercícios espirituais de Santo Inácio, realmente, o tempo corre muito depressa.
A mesma pergunta que Jesus fez aos Apóstolos (Mt 16, 15) faz a mim: – “E vós quem dizeis que eu sou?” e você Agenor o que diz que eu sou?
Minha resposta deve ser radical, se trata de opção de vida e não meramente de palavras. Opção de vida com todas as consequências assim como Jesus mesmo coloca no anúncio de sua paixão. É preciso sofrer muito, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Não sei se já pensei tão profundo sobre isto, que é preciso sofrer e morrer, depois sim vem a ressurreição.
Em seguida o convite toma a sua cruz cada dia e siga-me: o que é esta cruz para você Agenor? Quero assumir até o fim da viagem. Não vou parar no meio do caminho.
Escolhi a cruz de Jesus Cristo, ela é vida e não a morte.
Na Eucaristia das 18h senti o grande apelo de refazer o meu pacto da reescolha de Deus. “Senhor aqui está o meu sim.”
Um sim que está disposto a assumir todas as consequências assim como Maria.
Receba o meu sim, sobretudo no perdão, na pureza e na sinceridade.
11 de junho de 1978 – Domingo
No meio deste mundo todo, Deus escolhe uma casa, nesta casa uma pessoa: Maria.
Deus quer uma humanidade nova e renovada.
Este grande retiro está sendo mesmo um dom do Senhor Deus.
Hoje também foi um dia cheio de sol aqui em Itaici.
Rezo, medito, contemplo.
Estou descobrindo uma riqueza imensurável.
Tudo transcorre bem dentro de mim.
12 de junho de 1978 – Segunda-feira
Maria faz silêncio interior. Certamente se preparando para o casamento com José. Eu também estou me preparando para o meu sacerdócio e a vida consagrada (casamento com Jesus Abandonado) e para José como foi duro. Com certeza José já deveria ter a sua casa, conhecia bem Maria, pensava em formar uma santa família e de repente vê cair por terra todos os seus planos, que envolviam toda a sua vida. “Não é possível que Maria tenha me enganado.” José prefere ele desaparecer no silêncio, mesmo se fosse preciso perder sua honra e fama humana, perante os homens. Perante Deus era justo e santo, estava tranquilo.
Que honra para Izabel e Zacarias receberam na sua casa a mãe do Senhor, Maria com Jesus em seu seio. Imagine Maria que vai chegando em sua casa com Jesus. Na eucaristia acontece isto cada dia.
No natal Jesus chega. Todas as portas estão fechadas. Que dor e humilhação para José e Maria, precisam bater de porta em porta, ninguém abre. Não há mais lugar para os pobres.
Os pastores com toda a simplicidade o encontram e o reconhecem.
José e Maria não reclamam, importava a eles fazer a vontade de Deus no momento presente.
Que tamanha riqueza espiritual possuíam José e Maria. Quem vive em Deus não precisa dizer tantas palavras, um simples olhar já pode comunicar uma verdadeira mensagem.
Meditei também sobre a visita dos Reis Magos a Jesus. Fazem um verdadeiro encontro e oferecem o que eles tinham de melhor: ouro, incenso e mira.
E você Agenor, qual será o seu melhor presente que vai oferecer a Jesus? Qual sua atitude fundamental de vida? Só faz despojamento quem se encontra com Jesus?
13 de junho de 1978 – Terça-feira
Me chamou muita atenção esta fidelidade de José e Maria, observam todas as leis sem nenhuma reclamação.
Maria vai ao templo e apresenta o que tem de melhor: Jesus. Ao mesmo tempo ouve aquelas duras palavras: “uma espada transpassará teu coração” naquele momento talvez Maria nem entendeu as consequências que estas palavras trariam para a sua vida.
O que eu posso oferecer ao Senhor?
Vem em relevo aquilo que Deus falou para Abraão (Gen 17, 1) sobretudo este apelo a à perfeição e à santidade. Aliás, há um bom tempo que venho desejando isto.
Cristo é o meu fundamento (I Cor 3, 9-15).
Ne questionei bastante, como eu estou construindo a minha vocação?




