Lideranças do agronegócio, agricultores e deputados estaduais pediram a revisão da Portaria 193 que proibiu o plantio da safrinha.

Anibeli Neto, Nelson Luersen e Paulo Litro.
Foto: Beto Rossatti
A audiência pública sobre o futuro da soja safrinha no Paraná foi uma das mais concorridas dos últimos tempos na Assembleia Legislativa do Paraná. O plenarinho ficou pequeno com a presença de lideranças do agronegócio paranaense, agricultores e empresários do setor de insumos, que foram a Curitiba participar da audiência que foi convocada pelo deputado Anibeli Neto (PMDB), que presidiu a reunião.
Treze deputados estaduais também participaram da audiência. O deputado Nereu Moura (PMDB) disse ser um absurdo o que está acontecendo no Paraná. “O agricultor é o primeiro interessado em preservar o meio ambiente, e a sanidade das lavouras, não precisa o Estado vir para ensinar o Pai Nosso ao produtor, ele sabe o que faz”, disse.
O deputado Wilmar Reichembach (PSC) também participou da audiência afirmando que é preciso reavaliar a portaria, estudando agora os reflexos econômicos que ela provocou, principalmente em regiões essencialmente agrícolas como é o caso do Sudoeste. Produtores como Marcos Perera, de Mariópolis, que tem a propriedade na divisa seca com Santa Catarina, não entendem porquê estão proibidos no Paraná de plantar a soja safrinha, enquanto na propriedade vizinha a sua, em Santa Catarina, pode.
Audiência histórica
O presidente da Camisc, Nelson de Bortoli, disse que a audiência foi histórica no Paraná. “Temos a certeza que nossas autoridades vão reavaliar essa situação que provocou prejuízos de milhões de reais para a economia, fazendo com que esse dinheiro saísse de circulação comprometendo as economias locais.”
Para Anibeli Neto, esta foi uma das mais importantes do ano, e a partir dela poderão ser reavaliados os rumos da portaria que proibiu a safrinha no Estado. “Esta situação não pode continuar, sob pena de inviabilizarmos a economia de dezenas de pequenos municípios do Paraná”. Oradi Caldato, presidente do Sindicato Rural de Pato Branco, e vice presidente da Faep, disse que respeita a posição da Federação, que apoia a portaria, mas não pode concordar. “Foi uma audiência fundamental para defender o agronegócio do Paraná, com argumentos fortes do ponto de vista técnico, mas também concretos do ponto de vista da defesa dos interesses dos nossos agricultores”, afirmou Oradi. O Sudoeste tem sua tradição, clima e características específicas, diferentes do resto do Paraná, que devem ser considerados na revisão da Portaria 193, destacou o líder ruralista que foi aplaudido de pé na audiência, ao utilizar a tribuna para defender o retorno da safrinha.
A posição da Adapar
O diretor da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, Adriano Rezemberg disse que todos estão a favor do agronegócio, e o tema debatido pode definir o futuro da sojicultura brasileira. “Nós estamos do mesmo lado do agricultor, todos estão a favor do agronegócio”. Adriano disse que o Paraná tem hoje 5 milhões de hectares cultivados no Paraná na safra principal e 150 mil hectares na safrinha, e é este o foco, proteger estes 5 milhões que podem sucumbir a esta terrível doença no futuro próximo se medidas sérias não forem adotadas, como esta da Portaria nº 193.
“Se não agirmos podemos aí sim criar prejuízos inimagináveis para a economia brasileira, é impossível imaginar um Brasil sem soja”. O presidente da Adapar, Inácio Kroetz, afirmou que o debate foi muito feliz, com a presença de todos os setores ligados ao mercado da soja. “O governo se compromete com a reavaliação da medida, diante dos novos dados colhidos na safra deste ano, e dentro dos critérios técnicos daremos uma resposta dentro do período do vazio sanitário, para que o produtor não seja pego de surpresa para a próxima safra”. Inácio disse que as medidas deverão ser adotadas em âmbito federal para que todo o País passe a atuar dentro das mesmas regras do jogo. “Se houver possibilidade de revisão, a partir das análises dos dados técnicos de 2015 para cá, vamos agir sempre com o intuito de fazer o melhor pelo futuro do agronegócio brasileiro, e isso vai acontecer até setembro”, afirmou Inácio.






