Entidade começou com 18 sócios e hoje conta com um quadro superior a 300 produtores rurais.

A Associação de Avicultores do Sudoeste do Paraná (Avisud), com sede em Francisco Beltrão, elegeu dia 1º de abril, sexta-feira, os novos conselhos diretor e fical para os próximos quatro anos. Claudinei Colognese, um dos fundadores da Avisud e presidente por seis anos, passou o cargo para Vilmar Andretto, da Linha Hobold.
Nesta semana, Claudinei esteve no JdeB para fazer um balanço de suas duas gestões na Avisud, entidade que surgiu do descontentamento dos produtores de frangos com a BRF no final da década passada.
“Começou com 18 sócios”, lembra o ex-presidente, que acrescenta: “Terminamos o mandato com o dever cumprido, hoje a associação tem mais de 300 sócios”.
Nestes seis anos de existência, a Avisud obteve várias conquistas, entre elas, a abertura de negociações com a BRF, e participou de mobilizações pela melhoria dos preços pagos aos avicultores e da regulamentação da Lei do Integrado, aprovada pelo Congresso Nacional.
As conquistas
Claudinei cita que em janeiro de 2015 o avicultor estava recebendo R$ 0,33 por cabeça de frango e em fevereiro de 2016 o valor saltou para R$ 0,39.
Na produção de perus, o valor subiu de R$ 3,40 para R$ 4,75. “Conseguimos num ano o que não conseguimos em seis anos (da associação)”, ressalta.
O valor dos perusinhos saltou de R$ 0,55 para R$ 0,85 em um ano. “O que nós conseguimos nos perus machos foi de 11% para os alotes abatidos a partir de março”, diz o ex-presidente.
Outra conquista foi a elaboração das planilhas de custos de produção. Claudinei relata que “na planilha de custo que tava em dezembro tava empatando. O produtor não ganhava e nem perdia na produção do peru terminador, nos outros sistemas até dava um pouco”.
Claudinei, que tem propriedade rural em Nova Concórdia, em Beltrão, destaca que deixou a Associação de Avicultores documentada, com dinheiro em caixa e as mensalidades são descontadas dos associados diretamente na BRF – valor de 0,5% do lote, cerca de R$ 50.
“Hoje dá pra trabalhar bem, tem a sede (antigo Mercado do Produtor da Cango), equipamentos e vai ser feita uma reforma e aberta uma sala de reuniões.
Por meio de parceria entre os governos federal e municipal está sendo comprado um caminhão basculante e uma minicarregadeira para cama de aviário. Com a carregadeira, os avicultores poderão fazer a retirada da cama (excrementos das aves) dos galpões e usar como adubo orgânico ou para venda.
A verba foi conseguida pelo deputado Assis do Couto (PDT) no orçamento do governo federal. A verba foi repassada à Prefeitura de Beltrão que está coordenando a licitação de compra do caminhão e equipamentos.
O ex-presidente destaca que o pagamento das sacas da cal, produto usado no aviário para fins sanitários, após a retirada do lote, era feito pelos avicultores. A despesa ficava na faixa de R$ 400. Agora, a BRF vem fazendo a doação da cal para os avicultores.
A loja de frios e outros produtos da BRF, em Francisco Beltrão, que antes atendia apenas os funcionários, passou a atender os avicultores integrados.
A empresa também aceitou recalcular os valores dos lotes nos casos em que havia reclamação dos avicultores. “Em torno de 90% das reclamações a gente conseguiu recalcular. É uma das principais conquistas de tudo o que a gente vinha batalhando: a questão do aumento da produção pelos pequenos produtores”, frisou. Havia a especulação de que a empresa pretendia estimular médios e grandes produtores a aderir à atividade.
O sistema de integração nos Estados do Sul abrange, basicamente, pequenos produtores.
Lei da Integração
Claudinei avalia que a aprovação da Lei da Integração não foi o que esperava o setor produtivo. A regulamentação era reivindicada por produtores de aves e suínos, associações de classe e federações estaduais de agricultura, “Foi um início, não era o que a gente queria. Mas se a gente pegar o quadro de deputados, foram as grandes empresas que elegeram eles e nós não temos muita força”, consola-se.
Claudinei vai se manter na luta pelos avicultores, mas pretende mais cuidar da sua propriedade de agora em diante. Ele continua como diretor da Associação Brasileira de Avicultura (Abai), da qual foi um dos fundadores.




