
A diversificação da economia melhorou o desempenho e fez os municípios do interior do Paraná aumentarem sua capacidade de consumo. Em 2010, eles tinham uma participação de 58,7% do consumo total no Estado. Nesse ano, esse peso deve chegar a 64,8%. Dos R$ 239 bilhões que os paranaenses vão consumir em bens e serviços em 2015, R$ 154,8 bilhões serão movimentados em cidades do interior.
Os dados são da pesquisa IPC Maps, realizada pela IPC Marketing Editora, consultoria paulista especializada em consumo. Essa é a primeira mudança significativa no mapa de consumo do Paraná nos últimos dez anos. Entre 2005 e 2010, a participação do interior ficou estagnada em 58,7%.
Para Júlio Suzuki Júnior, diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), os dados demonstram que o Paraná está, de fato, conseguindo desconcentrar a sua economia, reduzindo a desigualdade regional e, com isso, a pobreza no interior, principalmente no meio rural. “Esse movimento é puxado pela forte geração de emprego, que propicia renda para que as famílias possam aumentar seu consumo”, diz.
Ganhou posições
O município de Francisco Beltrão é um bom exemplo deste novo ciclo de potencialização dos polos regionais. Ocupa a primeira posição em potencial de consumo no Sudoeste do Paraná e o 22º lugar no Paraná, com um potencial estimado em R$ 2,055 bilhões, uma elevação de 32 % com relação ao mês anterior. A cidade se manteve na mesma posição estadual, mas no ranking nacional ganhou 29 posições, subindo de 296º para 267º colocado. No entanto, o consumo per capita rural (R$ 17.649,11) é 28,38% menor que a média do morador da cidade (R$ 24.642,05).
A classe C, por exemplo, formada por emergentes, aumentou 63,4% seu potencial de consumo, subindo de R$ 397,3 milhões para R$ 649,5 milhões. As classes D e E, consideradas de baixa renda, tem previsão de consumo de R$ 96,7 milhões este ano, um acréscimo de 420,5%. Ainda assim, o maior percentual de consumo local, é da classe B, conhecida como classe média, que arremata 51% de tudo que se prevê em consumo para o ano. Os beltronenses deverão gastar prioritariamente em manutenção do lar, alimentação no domicílio, gastos com veículo próprio, materiais de construção e alimentação fora do domicílio.
Geradores de riqueza
De acordo com Denilso Baldo, publicitário e administrador da Rede Forte de Supermercados, o consumo de Francisco Beltrão, o primeiro do Sudoeste e o 22º do Estado, reflete a força da produção agrícola, bacia leiteira, avicultura e das indústrias. “Nós, do Sudoeste, somos geradores de riquezas, produtores. O próximo passo é aumentar a nossa força industrial, que vem crescendo nos últimos 10 anos. Eu acredito que nossa região está bem mais preparada para enfrentar o atual cenário. Prova disso, é o nosso consumo. São números que mostram para nossa gente a nossa capacidade de produção.”
Mercado diversificado e globalizado
A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Jovelina Chaves, observa que Francisco Beltrão ainda é um município relativamente jovem e passou de uma economia essencialmente agrícola nas últimas décadas para um importante polo universitário, comercial e de prestação de serviços, sendo composto por um mercado consumidor diversificado e globalizado.
Ela salienta que o município ocupa importante posição no Estado e oferece opções variadas para a população em termos de empresas e serviços como deliverys, franquias, comércio no sistema ‘just in time’ (entrega rápida), opções em preços, qualidade, concorrência diversificada, gastronomia padronizada, empresas modernizadas, etc. “Vivemos em um País capitalista, logo o consumo se faz necessário, para o crescimento e o desenvolvimento das cidades. A amostragem desta pesquisa retrata que Francisco Beltrão está em um patamar em seu desenvolvimento econômico cada vez mais promissor, ocupando posições de destaques.”
Sudoeste cresce mais que o PR
A consultora do Sebrae de Francisco Beltrão, Jocelei Fiorentin, disse que um estudo realizado pela instituição demonstra o crescimento do setor de alimentos, pois a região é uma das mais agrícolas, o que favorece o setor de agronegócios. O grau de urbanização do Sudoeste é de 70,71% e do Paraná 85,33%.
Além disso, de acordo com ela, o Valor Adicionado Fiscal (VAF) do Sudoeste de 2012 para 2013 que representa a indústria, comércio, serviços e produção primária cresceu 21%, enquanto o crescimento do PR neste mesmo período foi de 13,7%, o que demonstra que o Sudoeste puxou a média do Estado para cima. Sendo que Francisco Beltrão ficou em segundo lugar da região dos municípios que mais contribuíram para este dado positivo.
Setores como o do agronegócio, comércio varejistas adicionam bilhões no VAF, e indústrias de confecções, metal alumínio, tecnologia da informação, eletroeletrônico, saúde, móveis, construção civil e transporte contribuem de forma diferenciada na geração de riquezas do Sudoeste.
“Vale ressaltar que os ativos tecnológicos e de conhecimento da região são muito significativos e talvez um outro fator que favoreça o cenário do desempenho positivo é o acesso a informações e conhecimento.” População x ensino médio completo e superior incompleto, Sudoeste: 16%, Paraná: 1%. População x ensino superior, Sudoeste: 6%, Paraná: 0,4%.
Fortalecimento do interior
No interior, além das novas indústrias, as cooperativas agroindustriais continuam sendo um dos principais motores de desenvolvimento. Com atuação principalmente nas áreas de grãos, carne e leite, elas representam 56% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária estadual.
Nos últimos quatro anos, as cooperativas investiram R$ 8,4 bilhões – principalmente na industrialização da produção agrícola e na infraestrutura de armazenagem. São projetos que geraram 15 mil novos empregos no período, de acordo com dados do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Segundo a entidade, a cada R$ 1 milhão investido são gerados 60 empregos.
“O interior atraiu investimento nos últimos anos porque em geral apresenta melhores condições de vida, com índices menores de criminalidade e de custo de vida. O crescimento da classe média também contribui para o avanço do consumo”, diz Marcos Pazzini, responsável pela pesquisa IPC Maps.
Infraestrutura e investimento melhoram vida no interior
Melhorias na infraestrutura, apoio a investimentos e geração de empregos têm ajudado a estimular o crescimento da economia no Interior. Somente a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) investiu, entre 2010 e junho desse ano, R$ 1,93 bilhão em obras de saneamento no Interior do Estado. Os projetos ajudaram também na geração de emprego. Nesse período, foram gerados 55 mil vagas em obras da empresa. A Sanepar estima que a cada R$ 35 mil investido, é gerado um emprego direto.
Do lado do investimento, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) vem apoiando projetos do setor produtivo e se destacado principalmente no crescimento das cooperativas agropecuárias. Desde 2011 até o acumulado de 2015, o volume de contratações alcançou R$ 4,8 bilhões no Paraná. No período, a Fomento Paraná, por sua vez, firmou mais de R$ 1,46 bilhão em contratos para apoiar o setor público e privado, em todas as regiões do Estado. Os recursos ajudam negócios de empreendedores de micro, pequeno e médio porte e obras de pavimentação e compra de máquinas e equipamentos nos municípios. *Com informações da AEN
Posição no Ranking – 2015 “Potencial de Consumo Posição Ranking – 2014
Municipio Estadual Nacional – 2014/2015 – R$ bi” Nacional Estadual
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Francisco Beltrão 22 267 2,055 296 22
Pato Branco 23 286 1,952 286 21
Dois Vizinhos 39 580 0,869 649 41
Palmas 52 752 0,643 690 45
Quedas do Iguacu 73 1022 0,453 898 62
Coronel Vivida 76 1045 0,438 1115 78
Chopinzinho 79 1070 0,429 1133 81
Capanema 84 1150 0,397 1278 90
Realeza 90 1286 0,355 1353 95
Ampere 91 1289 0,354 1377 97
Marmeleiro 114 1575 0,281 1607 114
Santo Antônio 117 1608 0,275 1490 107
Mangueirinha 121 1679 0,262 1631 117
Salto do Lontra 122 1680 0,262 1811 129
Clevelândia 124 1713 0,257 1534 111
Planalto 126 1752 0,250 1828 131
Nova Prata do Iguaçu 151 2072 0,204 2266 174
Santa Izabel do Oeste 155 2085 0,202 1932 135
Itapejara D’Oeste 158 2101 0,200 2065 154
São João 170 2190 0,190 2118 160
Nova Prata do Iguacu 151 2072 0,204 2266 174
Santa Izabel do Oeste 155 2085 0,202 1932 135
Itapejara D’Oeste 158 2101 0,200 2065 154
Sao João 170 2190 0,190 2118 160
Barracão 195 2528 0,158 2527 195
São Jorge D’Oeste 200 2619 0,152 2457 191
Verê 201 2620 0,151 2605 203
Renascença 202 2639 0,150 2568 199
Vitorino 212 2756 0,143 2882 221
Eneas Marques 215 2780 0,141 2881 220
Mariópolis 240 3089 0,123 2915 226
Pérola D’Oeste 260 3329 0,108 3214 244
Nova Esperança 274 3499 0,099 3626 283
Cruzeiro do Iguaçu 304 3922 0,081 4059 316
Flor da Serra do Sul 305 3923 0,081 4128 320
Coronel Domingos Soares 306 3945 0,080 4018 311
Honório Serpa 315 4054 0,076 3941 304
Salgado Filho 324 4201 0,071 4061 318
Sulina 341 4409 0,062 4355 338
Bom Sucesso do Sul 344 4431 0,062 4548 347
Bela Vista da Caroba 353 4569 0,057 4606 351
Bom Jesus do Sul 370 4799 0,050 4810 369
Boa Esperanca do Iguaçu 381 4975 0,046 5013 381
Manfrinópolis 385 5059 0,043 5069 384
Pinhal de São Bento 391 5167 0,039 5217 392
Fonte: IPC Marketing Editora





