
O Serviço de Atendimento à Saúde (SAS) é um benefício que o Governo do Estado concede aos servidores estaduais e aos seus dependentes. De acordo com a página oficial do SAS na internet, ele garante “uma ampla cobertura assistencial médico-ambulatorial e hospitalar, em todo o Estado do Paraná”.
O problema é que, em Francisco Beltrão, essa ampla cobertura tem se restringido a pouco mais do que os serviços de urgência. Isso porque desde outubro de 2014 o Governo Estadual tem problemas para repassar recursos que deveriam cobrir os gastos do serviço.
Em Beltrão, o atendimento do SAS é feito no Hospital São Francisco. A ouvidora e auditora do serviço no hospital, Edivânia Mora, conta que a situação está complicada. “Não é de agora. O problema começou em outubro e não teve recuperação. O governo até está pagando devagar a dívida e quitou os atrasados de 2014, mas agora faltam os desse ano”.
Nesse cenário, o São Francisco mantém apenas os serviços essenciais do SAS. “Só estamos atendendo casos de urgências, emergências, algumas análises clínicas, gestantes, pediatria e serviços mais simples que temos aqui”, garante Edivânia.
Enquanto isso, as cirurgias que têm menor urgência e a maioria das especialidades precisam ficar na fila da espera, aguardando a verba que parece que nunca vem.
“Previsão para acertar nós temos todo dia. Estamos sempre ligando para Curitiba e eles dizem que assim que o Governo liberar a verba vai normalizar tudo. Enquanto isso, temos que esperar” conta Edivânia.
Valdecir Maciel é usuário do SAS e conta que precisou do serviço ainda no mês passado. “Fui lá e eles disseram que não podiam me atender. E isso porque falta pagamento do governo. Eu posso afirmar que o atendimento do hospital sempre foi muito bom então, se tem algum culpado, é o governo que não paga o que deve”.
SAS de Pato Branco ainda atende ambulatório
Em Pato Branco, os atendimentos do SAS são no Hospital São Lucas, que também sofre com a falta de repasses. O diretor do hospital, Sérgio Luiz Wolker, conta que, com o atraso nos repasses por parte do Estado, a instituição ficou sem atender aos beneficiários do plano durante dois meses no início de 2015.
Mesmo sem receber os repasses, alguns atendimentos ambulatoriais voltaram a ocorrer há dois meses, como as consultas em clínica geral, pediatria, ginecologia, atendimentos de urgência e emergência e exames solicitados em ambulatório. “Começamos a atender algumas coisas, mas não temos como atender tudo, pois estamos com muitos atrasos ainda”, explicou Wolker.
O hospital recebeu somente nesta sexta-feira a parcela referente ao mês de janeiro.
Governo culpa a economia
Contatado pelo Jornal de Beltrão, o Governo do Estado afirma que o problema de repasses para o SAS foi causado por fatores externos. Reproduzimos abaixo a nota enviada por e-mail pela Secretaria Estadual de Administração e Previdência.
“O desaquecimento da economia nacional, desde o ano passado, afetou também a arrecadação no Estado do Paraná. Em razão disso, e para preservar o compromisso com os vencimentos dos servidores, alguns contratos tiveram os pagamentos postergados. Com a prevista entrada de recursos a partir deste mês de abril, o Governo do Estado já começa programar os pagamentos. No caso do SAS, os vencimentos do ano passado foram todos quitados. Ontem (23), foi paga uma parcela do ano de 2015”.
O deputado estadual, Wilmar Reichembach (PSC) concorda. Segundo ele, os atrasos no SAS são mais um reflexo dos problemas econômicos que o Paraná tem atravessado nos últimos meses.
“Mas o Estado já está fazendo ajustes para alcançar um equilíbrio financeiro. Eu acredito que a partir do segundo semestre a situação econômica do Paraná vai normalizar”, garante o deputado beltronense, que reforça que as questões que envolvem a Saúde merecem atenção especial e um tratamento prioritário.






