EXPOFEIRA MULHER

O desafio de organizar uma feira para mulheres

Por Flávio Pedron – A primeira edição da Expofeira Mulher foi organizada em 2000, no Shopping Aquárius – hoje Galeria Avenida –, em Francisco Beltrão, pelo Conselho da Mulher Empresária, hoje NME, da Associação Empresarial (Acefb). Solange Stein, ex-secretária executiva da Acefb, se empenhou juntamente com as diretoras e integrantes do CME na organização das três primeiras edições desta feira. A escolha do shopping para este evento se deu porque já tinham sido organizadas ali três feiras setoriais.

Solange Stein. Foto: arquivo pessoal.

Solange, que atualmente é secretária executiva do Sindicato das Indústrias de Confecções (Sinvespar), lembra como surgiu a ideia da exposição e o sucesso da primeira edição. “Em 2000, a Raquel Roncato era a presidente do Conselho da Mulher Empresária da Acefb. Ela e a Marinês Dalefe me chamaram para uma reunião, eu já não estava ligada à Acefb. Elas me contrataram para fazer a exposição, como exemplo daquelas que eu tinha feito, da construção civil, tecnologia e da saúde. E até a logomarca, tudo isso foi um colega meu, da Prefeitura, que fez. Teve o lançamento, ficou uma expectativa muito grande e a feira superou as expectativas”, lembra.

Na primeira edição foram 42 empresas expositoras. “As empresas expositoras não tinham divisórias, era tudo orgânico, mas a feira foi feita com muito esmero, capricho, algo extraordinário. Fizemos uma feira de carros na rua paralela ao shopping, trouxemos o núcleo de veículos da Acefb junto. Tivemos também muitas palestras e uma empresa de leilão de obras de arte e tapetes de Curitiba, que também foi um sucesso absoluto”, conta Solange. 

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Desfile de moda

Uma das atividades que perdura até hoje na programação da Expofeira é o desfile das tendências de moda. “Tivemos nessa primeira edição o desfile de moda, sempre teve, mas teve uma edição que nós fizemos, enquanto eu estava à frente da organização pelo Conselho da Mulher, o desfile de pet. Nossa! Tivemos gatos e cachorros, eu não sei o que chamava mais atenção, se eram os desfiles de moda ou dos pets.”

Transferência para o Calçadão

A partir da primeira edição, as seguintes continuaram acontecendo a cada dois anos. Na sequência foi decidido promover a exposição no Calçadão Central. “Poxa, mas fazer uma feira na praça foi o primeiro choque! Como é que vai fazer uma feira na praça? Mas as integrantes do conselho toparam e fomos. Aí começou o desafio, chamar alguém para vir fazer um projeto de salão nos cinco dias numa praça pública com entrada livre. Foi bem difícil. Nós já sabíamos que  ia precisar de muita atração para ter o público que tivemos nas edições anteriores, no shopping, principalmente com o perfil do público do shopping”, relata Solange.

Foi algo diferenciado promover a feira no Calçadão. “Meu Deus! Foi bem difícil, se não me engano, foram 54 ou 60 expositores e tivemos de pôr alguns do lado de fora [do pavilhão pré-montado]. Para ter uma ideia, nós saímos na capa da Gazeta do Povo, uma página inteira, porque era época da Copa do Mundo, e a programação foi uma coisa muito louca… Imagine, em 2002, como é que era a internet, e decidimos fazer o concurso Mulher Destaque 2002, da Expofeira Mulher, com cinco empresárias, tivemos que fotografar e a votação foi on-line! E quem ganhou, foi com seis mil votos on-line. Foi uma coisa assim extraordinária!”

Foram realizados mais de dois desfiles, com estrutura precária, mas muito prestigiados pelo público. “Para ter uma ideia onde a gente fazia os camarins era num caminhão e embaixo de uma árvore com um toldo e lona, mas na passarela, lindo, maravilhoso e divino. E o Gildo [Kist, estilista local] sempre fazia um show à parte, foi aí que ele colocou uma mulher, uma modelo inspirada na Copa do Mundo de 2002, que o Brasil foi campeão, na sequência.”

Naquele desfile caiu uma chuva intensa em Francisco Beltrão. “Eu fiquei o tempo todo com o pessoal da ONG, que estava na assessoria de som e tudo, tirando água dos toldos, em cima, e tinha bastante gente na praça, nas ruas adjacentes e em todos os shows da noite”, lembra Solange.

Hoje, ela não tem mais envolvimento com a Expofeira, mas sempre torce pelo seu sucesso. “Ah, tô sempre na torcida. Qual é o evento que dura 25 anos? Já é um evento consolidado.” Solange ressalta que a Expofeira não pode concorrer com Expobel, “ela tem suas peculiaridades, é coisa muito própria da mulher.”

Expofeira era sonho do Conselho da Mulher Empresária

Por Flávio Pedron – Na gestão de Raquel Roncato no Conselho da Mulher Empresária (hoje NME), da Associação Empresarial de Francisco Beltrão (Acefb), foi organizada a primeira edição da Expofeira Mulher, em 2000, no Shopping Aquárius. Em 2025, a feira chega à 14ª edição e acontecerá de hoje, 9, a domingo, 13, no Centro de Eventos do Parque de Exposições. 

Raquel Roncato, que coordenou o CME na época da primeira Expofeira, em 2000. Foto: arquivo pessoal.

Em entrevista ao JdeB, Raquel contou como surgiu a ideia de promover uma feira voltada ao público feminino e às famílias. “Era um sonho que queríamos realizar como CME. O CME da gestão anterior, que tinha como presidente Marlize Schöll Giaretta, realizou uma feira de artesanato, também no shopping, se não me engano. Mas nós queríamos fazer algo diferente, uma Expofeira, que trouxesse um pouco de moda, design, decoração, informações e cursos. Neste ano tivemos o primeiro curso de mecânica para mulheres. Foi muito bacana”, relata a ex-coordenadora do conselho.

Para tornar realidade a feira, as integrantes do CME conversaram com o presidente da Acefb da época, Idalino Menegotto, que concordou com a ideia, porém deixou claro que a feira deveria ser autossustentável. “Como não tínhamos experiência neste setor, fomos em busca de ajuda e a Solange Stein foi a nossa guia nesta nova proposta. Tínhamos muita vontade e nenhuma grana. Fomos em busca de patrocínio, expositores e parceiros que acreditaram em nossa proposta e se mantiveram parceiros por muito tempo”, relata Raquel.

Muitos apoios e parceiros

Muitas pessoas, entidades e empresas ajudaram e apoiaram a feira, não apenas na primeira edição, mas ao longo de todas as edições. Raquel destaca que a primeira edição “foi linda e, sim, pagamos tudo e sobrou para o conselho, se não me engano R$ 900, que comemoramos muito. E graças ao trabalho de todas as conselheiras, da nossa promotora de eventos Solange Stein e da Acefb, nosso carro-chefe, que mobilizou o pessoal para nos auxiliar na venda de espaços. Tínhamos pouca experiência, mas muita vontade de ver este evento acontecer”, lembra Raquel.

A segunda edição aconteceu na gestão de Maria Inês Bondan Daleffe e a Expo – era assim chamada pelas integrantes do conselho – foi organizada no Calçadão Central. “Vieram novas dificuldades e novos desafios. Era necessário maior investimento, portanto mais patrocinadores e mais expositores. A estrutura era mais cara e era preciso estarmos preparadas para as mudanças de tempo e tudo o mais que uma nova caminhada exigia. Foi uma experiência cheia de desafios, de muita garra, parceiros que investiram e acreditaram e que para nós foram incentivo para darmos continuidade à realização da Expo. Neste ano tivemos o primeiro desfile de noivas, com modelos maravilhosas, vestidas por nosso amigo e parceiro Gildo Kist. Foi maravilhoso”.

Anos depois, o NME decidiu levar a feira para o Centro de Eventos do Parque de Exposições, onde ela continua acontecendo a cada dois anos, intercalada com a Expobel. Raquel sente orgulho e carinho enorme pela feira e pelo Núcleo das Mulheres Empresárias. “Admiro nossas maravilhosas empresárias, que fizeram sua parte enquanto nucleadas e as que hoje fazem parte do Núcleo, que dedicam seu tempo, na maioria das vezes, depois de um dia exaustivo de trabalho, para pensar no melhor para as mulheres de nossa amada Francisco Beltrão e região. Parabéns, mulheres maravilhosas.”

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