Penitenciária, Formando Cidadão e Empresário Sombra foram os temas do ”Café Acefb”

 

Antônio Marcos Andrade, diretor da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão, fala aos empresários, na reunião semanal da Acefb, sobre as melhorias e os projetos desenvolvidos no estabelecimento penal, que hoje conta com 1.150 presos. 

 

Com sala lotada, o “Café Acefb” de ontem, 17 de maio, na sala de reuniões da Associação Empresarial de Francisco Beltrão (Acefb), teve a participação de empresários, autoridades e estudantes do Colégio Sesi de Francisco Beltrão, que participam do projeto “Empresário Sombra por um dia”, desenvolvido pelo Conselho do Jovem Empresário (Conjefb). 
Após a reunião, os estudantes seguiram com os responsáveis pelas empresas, para acompanhar durante o dia todo a rotina de trabalho desses profissionais. Como são alunos do Ensino Médio e estão próximos de prestar o vestibular, eles têm condições de avaliar que carreira pretendem seguir.  Em outubro será a vez dos estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual Reinaldo Sass. 
Antes, na abertura da reunião ordinária, o major Edson Cechinel, novo comandante do 21º Batalhão de Polícia Militar de Francisco Beltrão, explicou como funciona o programa “Formando Cidadão”, do qual participam adolescentes vindos de famílias carentes do município. “No dia 6 de outubro de 2001 foi iniciado o programa com adolescentes do sexo masculino com idade entre 12 e 17 anos, tendo como base os mesmos pilares do militarismo, como hierarquia, disciplina e aporte pedagógico, abrangendo todas as áreas de desenvolvimento social, moral, físico e educacional. A concepção do Programa Formando Cidadão é essencialmente preventiva, não destinado a infratores, mas a adolescentes em situação de vulnerabilidade social”, dizia trecho da apresentação feita pelo instrutor do programa, soldado Padilha.

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Em outras cidades não deu certo
O major Cechinel destacou que em cidades como Cascavel e Pato Branco o programa não decolou. Em Beltrão, porém, continua firme, graças à parceria com entidades como a associação empresarial e a Prefeitura. “É que precisa de muita dedicação, dispensa de tempo de quem realiza as atividades com essas crianças. Tenho que ressaltar que o retorno desse programa não é só para elas, mas para nós mesmos, como militares. Eles almoçam com a gente no batalhão, participam de várias atividades, é muito positivo.”
Padilha atua integralmente no programa, em que são atendidos 22 alunos supervisionados pela professora Vera Witt. “Recentemente, fomos com os alunos visitar uma usina hidrelétrica para ver como acontece a geração de energia, fomos até a penitenciária para eles conhecerem aquela realidade. E temos ainda um canteiro onde produzimos verduras e aproveitamos tudo lá. Esse é o nosso trabalho”, frisou Padilha. 
Em 15 anos, mais de 700 alunos foram atendidos pelo Programa Formando Cidadão. As famílias desses alunos recebem uma cesta básica todo mês. “Infelizmente, teve alunos que passaram pelo programa que se envolveram em crimes, mas esse índice é pequeno”, ressaltou o instrutor. 
Cechinel agradeceu à Acefb pelo convite e disse que é um projeto que demanda muita dedicação. “É um local onde a disciplina é tratada de maneira diferente. Queremos evitar que essas crianças fiquem vulneráveis à criminalidade e entendemos que eles devem viver em comunidade.”

Penitenciária com mais de mil presos
O diretor-geral da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão, Antonio Marcos de Andrade, e Francisco Correia, da divisão de ocupação de unidade, apresentaram de forma objetiva o tema “Melhorias e projetos desenvolvidos pela penitenciária beltronense”. 
Enquanto Marcos e Francisco falavam, era exibido um vídeo que mostrava o funcionamento do local onde vivem 1.150 apenados. Marcos reforçou que a prioridade da penitenciária é acolher detentos da região Sudoeste. “É para que eles fiquem mais próximos de suas famílias. Como uma parcela deles trabalha, estuda, fica mais fácil recuperá-los para que voltem à sociedade”, completou.
Em 2015, aproximadamente 700 presos ganharam a liberdade da penitenciária beltronense, e somente 60 retornaram à criminalidade. “Mas a mídia enfoca nesses 60”, critica Marcos. O índice de reincidência em crimes de detentos da penitenciária beltronense é de 35%. “No Brasil, esse número chega a 80%”, revela Francisco.

Irmã não acreditou
O diretor da penitenciária relatou mais um caso de superação da unidade prisional. Ele citou o exemplo de um paraibano que aprendeu a ler dentro da prisão. O detento escreveu uma carta à sua irmã, que morava na Paraíba, dizendo que tinha aprendido a ler. “Ligamos pra ela, que não acreditou na história. Ela veio visitá-lo e, na chegada, no portão de entrada, ele leu pra ela a placa ‘cuidado, cerca elétrica’. Foi então que ela acreditou no irmão e viu que ele estava realmente se recuperando”, relatou Marcos.
A unidade conta hoje com 138 agentes penitenciários, 40 servidores administrativos, 1 psicólogo, 10 profissionais da saúde e 89 câmeras que monitoram a penitenciária. “Geralmente, as tentativas de fuga acontecem à noite. Mas são poucas. Quando acontece, imediatamente as polícias Civil e Militar são avisadas”, declarou Francisco.  
O diretor da penitenciária entende que parcerias com empresas, Prefeitura e a Acefb são fundamentais para o andamento dos trabalhos. E isso fica claro nos números. Pouco mais de 400 detentos do regime aberto e semiaberto trabalham em 15 empresas da região e recebem, em média, 75% de um salário mínimo (R$ 660). “E tem o fator de que a pena é diminuída”, reforçou Francisco. 
A maior empregadora de detentos no Sudoeste é a Atlas Indústria de Eletrodomésticos, de Pato Branco – 77 presos prestam serviços à empresa. “Temos histórias de presos que são contratados pelas empresas e acabam sendo efetivados, muitos deles exercendo funções de gerência nessas organizações. Porém, ainda existe muito preconceito. Pedimos às pessoas que conheçam como funciona nossa unidade e com certeza terão uma outra opinião”, finalizou Marcos.

Major Cechinel: “Queremos evitar que essas crianças fiquem vulneráveis à criminalidade”.
Na foto, presença de dois adolescentes do Programa Formando Cidadão, juntamente com o soldado Padilha.
Fotos: Darce Almeida/Acefb

 

 

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