Trabalhadores desempregados reclamam da falta de oportunidades

“Preciso de experiência, porém não tenho oportunidade para adquiri-las”, diz jovem de 17 anos.

Noely Thomé, chefe da Agência do Trabalhador de Francisco Beltrão.

O nível de desalento está alto no Brasil: 4,9 milhões de brasileiros desistiram de procurar emprego no segundo trimestre de 2019, segundo dados do IBGE. A pesquisa realizada pelos economistas Paulo Peruchetti e Laísa Rachter, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), analisou dados de 2012 a 2019, e identificou que os grupos que mais sofreram foram os de jovens com idade entre 14 e 23 anos (33,5%), mulheres (55,2%), pessoas com baixa escolaridade (41,2%, com ensino fundamental incompleto) e que se declararam pardas ou negras (73%). A região Nordeste concentra 60% desse grupo, puxado pelo estado da Bahia (15,7%). O Jornal de Beltrão também fez uma enquete no município, com alguns trabalhadores que estão desempregados, para verificar como está a luta pelo emprego formal.

Uma das participantes, uma jovem de 17 anos, que não será identificada, está procurando emprego, mas se diz bastante desanimada com a falta de oportunidades. Ela acredita que sua idade é o principal motivo pelo qual não consegue uma vaga de emprego. “O empregador ao pegar meu currículo simplesmente olha e descarta sem ao menos conhecer meu trabalho, como se eu não pudesse fazer o mesmo que alguém acima dos 18 anos.”

“Os mesmos dizem já terem tido experiências ruins com menores e associam essas experiências a todos os jovens. Isso acaba desmotivando o jovem a procurar um emprego digno e muitas vezes vai para um caminho sem volta, como mundo das drogas. Sem falar das exigências. Preciso de experiência, porém, não tenho oportunidade para adquiri-las. Espero que os empresários pensem antes de dizer a um jovem que ele é igual a todos os outros que passaram por ali.”

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A jovem diz que continua procurando emprego, mas está desmotivada com tantas portas fechadas na cara. “Eu quero ser independente, sou qualificada, quero trabalhar para ter meu dinheiro e não ser mais uma jovem desempregada que se perdeu pelo caminho, mais um número na estatística. ”

A pesquisa foi feita com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) e foi elaborada para entender o perfil de quem está desistindo do mercado de trabalho, como estão distribuídos os desalentados pelo território brasileiro e os motivos que levaram a esse nível de desalento.

Segundo o FGV IBRE, a principal razão declarada como causa do desalento é a escassez de emprego na localidade da residência dos trabalhadores (63%). “Isso acaba mostrando a falta de dinamismo da economia local, fator que ajuda a explicar porque as pessoas estão desalentadas”, analisou Peruchetti. As demais respostas incluem falta de trabalho adequado, o fato de ser jovem ou idoso e, por último, falta de qualificação.

Neli Tremba Bueno, 36, embaladora, que também participou da enquete, confirma que há muita procura pra poucas vagas. “Muitas empresas exigem experiência, mas não dão oportunidades. Trabalhei em uma empresa em que fui ensinada sem precisar experiência e fui bem reconhecida.”

Valcir Legnaghi, 40 anos, motorista e pedreiro, diz que está concluindo o ensino médio, tem cursos de qualificação e ainda assim não consegue uma vaga de trabalho. Elias Dama, 25 anos, auxiliar de serviços gerais, acredita que está com dificuldade para conseguir emprego porque parou de estudar muito cedo. “Hoje as empresas exigem no mínimo segundo grau completo, mas nem todas as pessoas tiveram oportunidade de completar os estudos”, opina.

 

Agência já colocou 1.070 trabalhadores
Noely Thomé, chefe da Agência do Trabalhador, afirma que os trabalhadores precisam buscar capacitação permanentemente. “Não adianta só reclamar. As empresas não contratam por caridade, as pessoas têm que se conscientizar que hoje o mínimo dos mínimos é o ensino médio e mais cursos de qualificação. Então, existem sim oportunidades, mas para quem está preparado.” Segundo ela, a Agência já atingiu 91,29% da sua meta para 2019. “Nossa meta mínima é colocar 1.172 trabalhadores, sendo que até agosto já colocamos 1.070.”

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