O mato tomou conta

Árvores de 20 ou 30 metros, parece mata virgem. É a realidade de inúmeros municípios.

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Estive visitando o Rio Grande do Sul por esses dias. Cumpri um movimentado roteiro de reencontros, churrascos, sopa de agnoline e vinho colonial. A gauchada continua hospitaleira como sempre. Estive em Guaporé e Ilópolis, encantadoras cidades da Serra Gaúcha. Mas o que me chamou a atenção é a realidade do interior desses municípios.

A gente anda quilômetros e quilômetros em meio ao mato, quase não tem mais moradores. Em comunidades outrora vibrantes e cheias de vida, hoje até a Igreja está abandonada. Houve um completo esvaziamento. Visitei a propriedade que já pertenceu à família no passado. “Ali era a casa, mais adiante morava fulano, do outro lado, o compradre Drai.” “Aqui tinha famílias que formavam só com os filhos um time de futebol.”

Mas o que se vê hoje é mato, floresta fechada, árvores de 20 ou 30 metros de altura, parece mata virgem. É a realidade de inúmeros municípios gaúchos que estão perdendo moradores há muitos anos. As cidadezinhas, no geral, são encantadoras. Com suas belas igrejas, erguidas há mais de 40 anos, quando havia muito mais população e vida intensa. E fico refletindo se não corremos este risco também, de completo esvaziamento de nosso interior e das pequenas cidades.

Na prática, o êxodo rural vem acontecendo continuamente e poucas são as medidas concretas para reverter a situação. É algo que está acontecendo de forma silenciosa. O Rio Grande do Sul deveria ser um alerta de que devemos encontrar maneiras de evitar que, em uma ou duas décadas, tenhamos imensas áreas abandonadas no interior de nossos municípios.

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