Nós, totalmente envolvidos na causa, estamos ansiosos para mostrar tudo que o candidato quer dizer, o eleitor comum segue sua vida normalmente.
Agora sim, agora vai! Estamos oficialmente no período eleitoral, tão amado por uns e não tão querido por outros. Mas, independentemente de qualquer coisa, é um momento ímpar na vida cidadã de todas as pessoas. E, mais do que isso, um período com uma importância muito maior do que normalmente se dá. Afinal, as decisões de agora valerão para os próximos quatro anos. Clichês à parte, acho muito interessante observar o início da forma das campanhas, tanto as que participo quanto as demais. A plástica inicial, a base, já podemos acompanhar. Mas, obviamente, o percurso é muito mais longo do que isso. Longo, complexo e trabalhoso, principalmente no que se refere à estratégia e conteúdo — esses, sim, fatores decisivos no resultado final. Cada planejamento é absolutamente único. Não existe campanha igual, nem mesmo se tratando do mesmo candidato. Por quê? Porque campanha se enquadra ao contexto, ao cenário. Não o contrário. O que era pensado, dito ou ilustrado há quatro anos atrás não irá se repetir agora pelo simples fato de que as pessoas e os fatos mudam. E mudam todos os dias. Quem dirá depois de quatro anos… Porém, um fator bem específico que observo ser um ponto em comum entre várias campanhas — e que também é extremamente esquecido ou renegado em várias oportunidades — é o que chamamos de “crescente”. Como assim? Vamos lá. Quando planejamos uma campanha ou uma ação de comunicação, seja de qualquer área pública ou privada, um dos principais elementos que levamos em conta é o tempo e a frequência em que ficará no ar. Uma campanha eleitoral — contando apenas o período oficial mesmo — dura aproximadamente 45 dias com frequência diária. Mas diária mesmo, com fatos novos o tempo todo. Pois bem… 45 dias para uma campanha seria um tempo bem razoável se estivéssemos falando de uma campanha do mercado privado, algo institucional, de conservação de marca, que não visasse tanto resultado em curto prazo. Obviamente que, se tratando de uma campanha eleitoral, o tiro é curtíssimo. Antigamente, o tempo era dobrado e ficávamos 90 dias falando disso. Portanto, a sensação causada por essa diminuição do período é justamente aquela de que precisamos enfrentar uma corrida de 100 metros rasos. E é aí que está o grande erro. Aí que entra a tal da crescente da campanha. Enquanto nós, totalmente envolvidos na causa, estamos ansiosos para mostrar tudo que o candidato quer dizer, o eleitor comum segue sua vida normalmente, as vezes nem sabendo o que realmente está acontecendo ou que dia será obrigado a ir votar. Porém, é natural que, quanto mais próximo da data das eleições, mais o assunto estará em alta. É cultura, é coisa de brasileiro deixar tudo para última hora. E é justamente aí que precisamos intensificar a pegada, não agora. A manutenção, a fidelização e o relacionamento já foi feito antes, agora o momento é outro. Então, a principal dica é: vá crescendo. Faça da sua campanha um gráfico com uma curvatura que vai subindo aos poucos, onde o ápice será quase no final do período, nas últimas duas ou três semanas. Se começar com a curva alta já na primeira semana, o gráfico não suportará outra subida mais para frente.





