Sempre quando se quer dar visibilidade a algo importante, as pessoas não pensam duas vezes antes de soltar um “essa merece ir para o jornal!” ou, então, um “isso aí precisa de uma entrevista na rádio!”
A dona de casa levanta cedo, põe a chaleira para chiar no fogão e vai abrir toda a casa para deixar o sol entrar. Mas antes de tudo isso, é claro, liga o radinho que fica no canto da cozinha e corre lá para fora buscar o jornal que o entregador deixou na caixa de correio. Essa é parte da rotina de muita gente do nosso Sudoeste ainda em 2019, exatamente da mesma forma que era há dez, 20 ou até 30 anos. Tudo isso prova que se existe algo mais forte do que o tempo e suas mudanças é uma cultura forte como a nossa, uma cultura que determina nossas manias e hábitos de consumo – inclusive o consumo de mídia. Existem algumas lições primordiais que o trabalho com a comunicação me ensinou. Entre elas, a de que a melhor forma de entender a maneira ideal de tocar as pessoas é simplesmente observar. Prestar atenção no que fazem, falam, gostam e, principalmente, estar atento à forma como veem o mundo a sua volta. Assim, podemos dançar conforme a música, se tornando parte do mundo particular de cada pessoa a qual queremos alcançar. E quando nos tornamos parte, ganhamos confiança – e a confiança é, sem dúvida, a chave que abre muitas portas na comunicação. Outra lição muito importante que sempre aplico é algo que complementa a anterior: é indispensável ter em mente que cada lugar tem a sua própria cultura. Portanto, o que dá certo em São Paulo não necessariamente será sucesso em Francisco Beltrão. E vice-versa. Muito se debate hoje em dia, por exemplo, sobre o fim da mídia impressa. Alguns grandes veículos nacionais reduziram ou até mesmo extinguiram suas versões impressas. Refletindo de forma superficial, até pode fazer sentido – afinal, hoje em dia quase tudo se resume a telas e mais telas, touchscreen e interatividade. Mas, como eu disse, se existe uma coisa mais forte do que a evolução e a tecnologia, é a cultura. Aquela dona de casa é apenas um exemplo genérico de algo que se espalha por várias classes, gêneros e idades na nossa região. Obviamente, ela também tem o seu celular, os seus grupos no WhatsApp e até mesmo seus perfis nas redes sociais. Mas nada disso foi capaz de mudar o seu hábito diário de se informar. Ou seja: as mídias se complementam. Costumo dizer há muito tempo – e cada vez mais – que os meios tradicionais ainda são o carro-chefe na nossa terra. E são, acima de tudo, porque recebem uma valorização gigante, como algo que está em um patamar superior no que se refere à informação. Sempre quando se quer dar visibilidade a algo importante, as pessoas não pensam duas vezes antes de soltar um “essa merece ir para o jornal!” ou, então, um “isso aí precisa de uma entrevista na rádio!”. Sim, nossa cultura torna nosso estilo de consumo de mídia algo diferente. Mas aí me perguntam: “Então não vale a pena investir em mídia digital por aqui?” Claro que vale! Nosso mundo se tornou um universo multitelas, onde a presença de uma não apaga a outra. Tudo vai de acordo com o planejamento traçado e, principalmente, com o público definido como o seu alvo. Mas, quando for trabalhar com uma região específica, nunca se esqueça de adaptar a sua campanha à cultura do local – jamais o contrário. E, quando essa região for o nosso Sudoeste, nunca se esqueça daquela dona de casa.




