E a comunicação, mais uma vez, é o combustível que mantém todos em alerta e por dentro do que é necessário saber.
No último sábado, dia 14, assumi a presidência da Associação Beltronense de Imprensa – a nossa tradicional ABI Sudoeste. Momento muito especial na minha trajetória profissional. Mas, mais do que isso, um fato muito simbólico por dois motivos: primeiro, por ser durante uma Expobel – provavelmente a maior da história –, um evento muito presente na minha vida. Segundo, por acontecer exatamente no instante em que o mundo inteiro estava voltado a um único assunto: o novo coronavírus. E a comunicação, mais uma vez, é o combustível que mantém todos em alerta e por dentro do que é necessário saber. Presidir uma entidade de representação da imprensa e das demais áreas comunicacionais em um recorte da história em que o seu papel vem à tona na mais pura essência é absolutamente marcante. Talvez o mais triste de toda essa história é que, mesmo com toda a carga de informação, as pessoas ainda achem que é mais mídia do que realidade. Talvez esqueçam que o conteúdo dos jornais é a vida real, simples e pura, diferentemente das novelas. Aliás, falando em novelas, pela primeira vez em 50 anos a Rede Globo irá suspender as gravações de suas novelas e retirá-las do ar, dando lugar a algumas reprises. Sim, tudo isso para preservar a saúde dos seus funcionários – que são muitos em um mesmo espaço, diga-se de passagem –, mas também para exercer a principal função que uma grande rede tem: a de conscientizar e (por que não?) influenciar positivamente o seu imenso público. Em meio a tanta coisa errada, isso sim é comunicar a favor do nosso bem mais precioso. Ficção e realidade se confundem para nos dizer o quanto tudo isso realmente deve ser levado a sério. E nos dois lados que tudo na vida tem, muita gente ainda leva na brincadeira. O brasileiro, por si só, tem um lado bonachão, boa praça, despreocupado. Isso não deve ser um defeito – desde que haja limites, como em qualquer outra situação. Neste ritmo, a onda de memes também não perdeu a vez. Inclusive, já falei sobre os memes e os chamados “conteúdos de oportunidade” em diversas outras vezes por aqui. Mas esse não é o momento. Eu sei, pode até parecer óbvio dizer isso. Mas, acreditem: às vezes, até mesmo as obviedades custam a entrar na cabeça de alguns. Portanto, que me desculpem os criativos, mas não há espaço e nem clima para nada além da seriedade da informação clara e correta, aquela que pode ajudar a salvar vidas em momentos como esse. Antes que eu me esqueça – e não que seja menos importante – vale lembrar que não há nenhum tipo de disputa em jogo. Não é questão de política, nem de credo, nem de opinião. Não há debate. Existe apenas um lado. E quando temos apenas um lado e ele preza pelo bem-estar das pessoas, a tolerância com fake news, alarmes falsos ou informações distorcidas têm de ser zero. E é por isso e tudo mais que sinto orgulho do papel da comunicação. É por histórias como essa, que sentimos na pele, que nossa profissão deve ser valorizada e representada. Pela coragem, pela entrega e pelo dever… todos os aplausos, juntamente com os médicos, enfermeiros, socorristas, farmacêuticos e os demais profissionais que estão segurando a barra por todos nós. Todos devem ficar em casa, mas esses não ficarão. Ou melhor, ficarão na sua casa, de mãos dadas – mesmo que à distância.






