É de fake news que eles gostam!

Além das mensagens serem inverídicas, os conteúdos ainda se tornam uma potente munição à disposição da artilharia do ódio, independentemente de terem ou não um emissor identificado.

Triste notícia, dura realidade. Um estudo do Instituto de Internet da Universidade de Oxford, divulgado em nosso País pela Agência Brasil, concluiu que, no Facebook, os conteúdos falsos – que na grande maioria das vezes são escandalosamente polêmicos – geram mais engajamento do que os “tradicionais” – ou seja, que falam a verdade. A análise ocorreu com base na circulação de informações em redes sociais relacionados às eleições do Parlamento Europeu, ocorridas entre os dias 23 e 26 do último mês. O que aqui chamamos de “fake news”, por lá eles conhecem por “junk news”, classificando tais publicações como “conteúdos ideologicamente extremos, enganosos e informações com fatos incorretos”. Essa onda desoladora e perigosa está cada vez mais perto da nossa encosta pessoal, em uma escala larga, como as costas de quem sofre como vítima desse descontrole, principalmente em processos políticos, como na região onde o estudo foi aplicado. E, justamente pela preocupação das autoridades da União Europeia, o tema ganhou fita até mesmo no meio científico. Ao menos se tratando desse levantamento, foi constatado por seus autores que “as junk news em nossa base tenderam a envolver temas populistas, como anti-imigração, e fobia contra grupos islâmicos, com poucos mencionando líderes ou partidos europeus”. Ou seja, além das mensagens serem inverídicas, os conteúdos ainda se tornam uma potente munição à disposição da artilharia do ódio, independentemente de terem ou não um emissor identificado. Outro problema específico se tratando do pleito europeu é a questão da interferência externa, e uma possível manipulação política-eleitoral do processo. Neste caso, como já era de se esperar, uma interferência por meio de mensagens de fontes russas. Aí o bicho pega mesmo! A título de curiosidade — e de desolação —, os idiomas com maior índice de engajamento envolvendo as “junk (mas sempre fake) news” foram inglês (3,2 mil por publicação), alemão (1,9 mil), sueco (1,76 mil) e francês (1,7 mil). A única exceção a se salvar (ô, glória!) são as páginas de Facebook de sites em italiano e polonês, onde a situação se inverte, com os veículos jornalísticos obtendo maior engajamento do que as fontes de “junk news”. Neste triste momento para os veículos sérios, tradicionais e de credibilidade, os sites propagadores de notícias falsas se destacam por conseguirem um engajamento até quatro vezes maior do que os portais geradores de conteúdo profissional. Se isso me surpreende? Infeliz e obviamente, não. Nem um pouquinho mesmo. Uma infinidade de interações nas redes sociais com enxurradas de curtidas, compartilhamentos, comentários, aplausos e gritos raivosos para fatos que, na realidade, não são fatos nem aqui e nem na China! Quer dizer… na união europeia!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques