Levando em conta os últimos acontecimentos, é possível que o Sleeping Giants passe para a história como mais um “movimento comunista contra os conservadores” — isso, claro, na visão daquela mesma parcela de sempre.
Hoje em dia as novidades surgem tão rapidamente que fica difícil até mesmo para acompanhar. A boa nova desta semana é um projeto que surgiu originalmente nos Estados Unidos, chamado “Sleeping Giants”. No caso, é um movimento que visa expor empresas e entidades que financiam sites que propagam notícias falsas e/ou caluniosas. Sim, o espanto é enorme quando se descobre que existe gente que escolhe ajudar a manter vivos os propagadores de conteúdo falso. Porém, primeiro de tudo, é preciso fazer uma ponderação: algumas empresas acabam tendo participação neste tipo de situação sem nem ficarem sabendo. Como isso é possível? Bom, existem algumas formas de compra de espaço publicitário na internet — inclusive através de plataformas gigantes, como o Google — em que é determinado o perfil de público que se quer atingir, de acordo com as estratégias traçadas pela empresa. A partir disso, essa plataforma distribui os anúncios em sites que se encaixam neste perfil através de informações de acesso, sem levar em consideração a credibilidade do conteúdo publicado. O fato mais curioso dessa história toda é que a atuação do Sleeping Giants chegou até mesmo à comunicação do Governo Federal. A situação mais comentada nos últimos dias foi sobre um anúncio do Banco do Brasil que estava sendo veiculado no site “Jornal da Cidade On-line”, que foi identificado pelo movimento como um propagador de fatos distorcidos e, em alguns casos, totalmente inventados. Inclusive, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão solicitou investigação sobre os investimentos publicitários do Governo e suas entidades, apontando indícios de escolha de veículos por questões ideológicas e de afinidade, sem qualquer critério técnico. Além de certa censura a veículos mais críticos. Mas tudo bem, isso não vem ao caso – para o meu próprio bem. Por um lado, uma atuação no mínimo interessante que sem dúvida nenhuma irá ajudar a desmantelar — através do calcanhar financeiro — quem se dedica a desinformar a população e que hoje em dia, infelizmente, tem uma força enorme. Ah! E vale lembrar: de minha parte, não importa se a fake news favorece ou desfavorece este ou aquele indivíduo. Nem se tem tendência de direita ou de esquerda. É falso, destrói reputações e pode trazer consequências sem tamanho. Ponto final. A verdade não tem nome, nem cor, nem partido. Porém, levando em conta os últimos acontecimentos, é possível que o Sleeping Giants passe para a história como mais um “movimento comunista contra os conservadores” — isso, claro, na visão daquela mesma parcela de sempre.






