Otávio Sedor
O que trago aqui hoje é um misto de opinião técnica e relato pessoal. Uma situação que incomoda e faz refletir, não apenas pelo interesse próprio, mas principalmente pela evolução do mundo, das possibilidades e pelo equilíbrio das coisas. Ah… o bom e velho equilíbrio, coisa de libriano.
E libriano também é calmo. Então, não quero arrumar briga com ninguém ao final deste texto. Bom, vamos lá. Acho que poucas vezes falei sobre vendas on-line por aqui. Na verdade, poucas vezes foquei na parte comercial e talvez nem seja minha principal especialidade. Por isso, como disse, há um toque bastante pessoal nesta opinião.
Mas, claro, nada impede que se utilize um pouco das ferramentas profissionais para somar e complementar com todo o resto. A grande verdade é que a forma de vender, anunciar e, principalmente, de se relacionar com os clientes mudou muito com a chegada da era digital. Muitas lojas começaram a existir apenas no formato digital. E, mais do que isso, proporcionaram experiências ao consumidor – é aí que está a grande jogada: experiências.
E o que quero dizer com isso? Parcelamento em 12 vezes sem juros em qualquer cartão de crédito (como eu adoro isso), cupons de desconto, frete grátis ou promocional, modalidades de entrega expressa com rastreamento da encomenda… isso é só um pouco de um universo infinito.
É claro que lojas físicas jamais poderão competir com isso de igual para igual. Tem custos e problemas infinitamente maiores, até porque lida muito mais com gente do que com sistemas automatizados ou algoritmos – e isso tem um lado muito bom e outro muito complicado.
Portanto, nem espero mesmo que as lojas físicas ofereçam as mesmas vantagens das virtuais, principalmente as que não fazem parte de alguma grande rede. E até porque, se formos analisar, elas podem oferecer outras vantagens exclusivas e que se adequem à sua realidade.
Mas o que realmente me deixa revoltado é quando não acontece nem uma coisa, nem outra. E, infelizmente, vejo muito disso por aí. Lojas que ainda nem trabalham com pagamentos via cartão ou, quando trabalham, se limitam a um parcelamento ínfimo – inclusive para valores bastante significativos.
Ou quando não cedem a nenhum desconto, nenhuma negociação. Ou quando vendem o mesmo produto pelo triplo do valor. Ou quando atendem mal, ao ponto de parecer que o cliente está fazendo um favor em pagar logo, da maneira que o comerciante achar que melhor convém, e ir embora. Eu vejo muito disso por aí.
Não são todos, talvez sejam poucos. Mas existem e isso entristece. Ninguém é obrigado, mas todos podem ter bom senso. Aliás, isso chateia porque eu mesmo, que já participei da criação de campanhas de inventivo ao comércio local, me desmotivo em fazê-lo em alguma situações.
Não encontro incentivo (e nem possibilidades financeiras) para pagar muito mais pelo mesmo produto, nem para aceitar um pagamento seco que poderia ser facilitado para ficar bom para ambos os lados. Me ajuda a te ajudar.
Pois, no fim das contas, muito além da tecnologia e das novas formas de vender e pagar, os relacionamentos interpessoais precisam evoluir e somar para que, finalmente, possamos viver no lugar em que nos ajudaremos a ajudar uns aos outros.








