Eu, como um bom libriano do início de outubro, dificilmente me irrito com alguma coisa. Raramente perco a paciência. Mas quando isso acontece…
Tristeza, tristeza e tristeza. É impressionante como um dos piores sentimentos toma conta quando se vê a caminhada da humanidade rumo ao ápice da desunião, quando tudo que precisamos neste momento é juntar forças para superar um obstáculo inédito na história moderna. E tudo – absolutamente tudo – é motivo para debates infundados, intermináveis e, em muitos casos, inacreditáveis. Enquanto segue a discussão, o consenso nunca chega, o problema se alastra e a vida passa. Mas pior que isso tudo (e, acreditem… existe algo pior) é quando a única barreira que limita tudo, até mesmo a liberdade de expressão, é brutalmente estraçalhada: a barreira do respeito. Eu, como um bom libriano do início de outubro, dificilmente me irrito com alguma coisa. Raramente perco a paciência. Mas quando isso acontece – também como um bom libriano do início de outubro –, não consigo guardar no peito o que tanto inquieta. E algo me inquietou nos últimos dias. Não sei se todos tiveram o desprazer de ver uma cena – agora já não tão comum – ocorrida com o veterano repórter Renato Peters, da Rede Globo. Desde já, deixo claro: não interessa se é da Globo, se é fulano ou se é sicrano. Poderia ser SBT, Band, Record, TV Beltrão ou a finada Rede Manchete. A opinião e a reação seriam as mesmas. Simplesmente não interessa. E o que aconteceu? Uma cidadã invadiu o link ao vivo de um jornal local enquanto o jornalista falava de uma importantíssima informação sobre um caso da Covid-19. Na interrupção, arrancou o microfone e chamou a emissora de “lixo”, logo após exaltando o nome do presidente da República. Agora, mais uma indispensável colocação: há problema em ter qualquer opinião sobre a emissora? Claro que não. Há problema em exaltar o nome de qualquer pessoa, seja ou não uma autoridade? Não! Isso é da autonomia de cada um. E mais: há problema em expressar tudo isso? Nenhum! A mesma liberdade de se expressar deve ser dada ao direito de trabalhar em paz e cumprir seu papel. E se fosse qualquer outro xingamento ou qualquer outra personalidade envolvida, eu estaria escrevendo a mesma coisa por aqui. Poderia ser Lula, Dilma, Cabo Daciolo ou Enéas. Não interessa. Ponto. O que interessa é manter o respeito, é saber os limites, é não ser inconveniente, invasivo ou deselegante. É possível e necessário saber que existem fronteiras para tudo que se quer dizer. E não interessa o que seja. De terra sem leis, já bastam as redes sociais. Não precisamos disso na TV tradicional também. Ah! E, sinceramente, não sei quem era a moça. Não sei qual era a sua situação, o seu pensamento ou a sua necessidade. Mas, independentemente do que seja, não consigo ver uma justificativa para isso ao invés de resolver a questão de uma forma mais adequada. E – menos ainda – não consigo imaginar uma culpa do “odiado” veículo, seja qual for o problema. Não é uma defesa do profissional X ou da empresa Y. Nem apenas do jornalismo ou dos comunicadores. É uma defesa do respeito. Só isso. E, agora, que joguem as pedras. Com elas, a melhor ideia será reforçar o muro da empatia.





