As mulheres tendem a adotar uma marca preferida para vários produtos de forma quase inconsciente, independentemente de preço, acessibilidade ou outros quesitos.
Amanhã é o dia internacional das mulheres. Data que relembra e valoriza a influência que elas têm na vida de todos nós, seja como mãe, esposa, filha, irmã… e por aí vai. O que nem todo mundo sabe – ou pelo menos não se dá conta – é que esse poder de influência transcende os laços familiares e afetivos e também se torna um ponto-chave no mercado, especialmente no que se refere a uma questão essencial no mundo do marketing: a decisão de compra. Um estudo de 2016, realizado pela agência J. Walter Thompson, mostra que apenas 3% dos homens tomam decisões de compra sozinhos em suas famílias, contra 61% de mulheres. Mas isso não é exatamente uma novidade. Mesmo com o número de mulheres que chefiam lares crescendo a cada dia, em muitas categorias elas já eram as responsáveis por várias questões. Em se tratando das decisões, o principal diferencial são os fatores importantes que são levados como prioridade. Entre eles estão a proteção da família e, sobretudo, a fidelidade de marcas. A própria ciência do neuromarketing explica que as mulheres tendem a adotar uma marca preferida para vários produtos de forma quase inconsciente, independentemente de preço, acessibilidade ou outros quesitos. Com isso, hoje em dia, o pior erro que a comunicação pode cometer é interpretar a presença das mulheres como aquela dona de casa que, quando compra, é apenas seguindo ordens do marido. Agora, em muitas famílias, elas são as líderes em todos os sentidos. As evoluções da sociedade trouxeram outros fatores para compor esta mudança de cenário, como o aumento da entrada do público feminino no mercado de trabalho, especialmente em funções de chefia, algo que cresce a cada nova geração. E são justamente esses novos conceitos e a quebra de tabus que criam novos desafios para a publicidade, que necessita de entendimento desta nova linguagem e de sua utilização estratégica para gerar melhores resultados. Os clichês da propaganda precisam ter fim. Mas e a decisão de voto? É claro que eu não poderia deixar de abordar os efeitos femininos no marketing eleitoral também. Entretanto, nesse caso, a situação é um pouco mais complexa e variável, como tudo numa campanha eleitoral. Numericamente, todos já sabemos que as mulheres, hoje, são a maioria da população brasileira. Isso faz com que, em nível nacional, o público possa definir uma margem apertada de votação. Porém, levando em consideração as variações regionais e os acontecimentos do momento, esse fator pode não ter a mesma força. Com isso, o que se deve prestar atenção são os hábitos femininos com relação à política. Tendo como exemplo as eleições de 2018, percebemos que maior do que tudo foi a onda do antipetismo. Esse comportamento de rejeição a um partido é menos presente no público feminino. Portanto, particularmente nessa situação, as mulheres acabaram tendo um poder decisório menor pelo fato de o “tsunami” eleitoral carregar um comportamento mais comum entre os homens. Mas esse, claro, é um caso específico que nem sempre se repetirá. Se tratando de consumo e de mercado, no fim das contas, que me desculpem os amigos… quem manda é a mulherada mesmo.








