Quem sabe, um novo momento em nossas vidas

Será mais real e menos virtual. É disso que o mundo precisa. De gente de carne e osso pensando e comandando tudo isso, mesmo nos ambientes virtuais.

É chegado o momento da redenção! Como diria Cabo Daciolo: “Glória!”. Em pleno 2019 ainda há quem nade contra a maré. E o Instagram – que é a grande plataforma do momento – foi quem resolveu pensar fora da caixa. Em um universo dominado pelos influenciadores digitais, compra de seguidores, agências, contratos comerciais, dinheiro, números, números e mais números, finalmente a qualidade vai valer mais do que a quantidade. O Instagram anunciou sua nova versão da plataforma em que o número de curtidas em fotos e de visualizações em vídeos não aparecerá mais para o público, ficando visível apenas para o proprietário do perfil. Nós, intensos devotos do bom conteúdo, ficamos mais do que felizes com essa boa nova. Aquilo que sempre chamei de “método FF” – o famoso “fácil e fútil” – irá cair por terra com esse novo momento da plataforma que, na verdade, ainda é apenas um teste no Brasil. Porém, as projeções dos resultados tendem a ser positivas, principalmente se baseando em outros países em que também foi realizado. O que antes eram números vazios, frios, simplistas e robóticos, agora poderão realmente fazer a diferença. Se antes se buscava uma rede com seus milhões de seguidores, com suas curtidas infinitas e sua popularidade mecanizada, hoje se buscarão mentes pensantes, inovadoras e criativas, que serão procuradas pelo mercado publicitário pelo mais puro mérito intelectual, e não por relatórios duvidosos. O fim da zona de conforto irá obrigar as empresas, marcas, instituições e personalidades a se preocupar integralmente com a relevância do conteúdo publicado. O extermínio das métricas comuns (número de curtidas e de visualizações) irá nos proporcionar o espaço necessário para vislumbrar novas formas de “medir” o desempenho de cada publicação nas redes sociais. Vamos poder observar realmente o contexto de cada post, lendo e absorvendo a mensagem de cada comentário, analisando a fundo a taxa de conversão e o efeito transmídia, entendendo assim o real efeito do conteúdo na vida das pessoas. Será mais real e menos virtual. É disso que o mundo precisa. De gente de carne e osso pensando e comandando tudo isso, mesmo nos ambientes virtuais. O efeito das máquinas nos fascina cada vez mais, com novos robôs e formas de vida artificial surgindo a cada dia. É impossível negar que o futuro é cada vez mais parte do presente – e do nosso próprio presente, inclusive. Porém, o medo de esse mundo se tornar tão sombrio quanto mostravam aqueles antigos filmes de ficção científica, em que os robôs dominavam o Planeta, pode estar, na verdade, mais próximo de ser um lugar onde os “likes” tem poder sobre o ser humano, algo bem “Black Mirror” – aquela série maravilhosa, disponível na Netflix. Portanto, aproveitando os 50 anos de Apollo 11 e parafraseando Neil Armstrong: obrigado, Instagram, por dar esse pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade.

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