As tradicionais mãos se apertando, em simbologia ao negócio fechado, deram lugar a dois cotovelos se tocando – que agora pode ser tanto sinal de segurança como de parceria.
Pois é. Apesar dos pesares, quando passarmos por tudo isso, já teremos boas histórias da vida para contar aos nossos netos. O inesquecível episódio da pandemia do Coronavírus virou o mundo de cabeça para baixo de um jeito que nunca vi antes. Falando isso, no auge dos meus poucos anos vividos, parece fraco e sem voz. Mas, acreditem, já ouvi o mesmo papo vindo de alguém com bons cabelos grisalhos – daqueles que um dia sonho ter. Quem pode, está mais em casa – ou pelo menos deveria. Vendo mais TV, acessando mais as redes sociais, consumindo mais conteúdo. E o conteúdo, em sua grande maioria, também está falando a mesma língua do restante do planeta. Comunicados e mais comunicados, conscientização, humanização. Sim, as marcas estão mais humanas. As empresas estão mais “social” do que “capital”. Estão abrindo mão do que pode “se dar jeito” para segurar a mão (no sentido figurativo, claro) de quem está precisando ficar em casa – mais do que qualquer outra coisa. Aliás, falando em mãos dadas, a gigante “Mercado Livre” teve uma das maiores e mais simples sacadas de toda a onda do Covid-19. A empresa tomou a atitude de – nada mais, nada menos – mudar seu próprio logotipo para se adequar ao momento. As tradicionais mãos se apertando, em simbologia ao negócio fechado, deram lugar a dois cotovelos se tocando – que agora pode ser tanto sinal de segurança como de parceria. Afinal, cuidar e se afastar do próximo também é sinal de desejar o melhor. Em ações como essa, onde um dos principais elementos da alma da empresa simplesmente se modifica em prol do contexto, é que a gente consegue perceber o que está acontecendo. E o Jornal Nacional? Na edição desta segunda-feira, antes de iniciar as notícias propriamente ditas, ocorreu um pedido de calma. Sim, calma. É muita informação, é muita preocupação, é muita tensão. Calma é bom, respirar é preciso. E o cinquentenário JN deixou sua impecável postura sobre-humana de lado por um instante para mostrar que ali também havia pessoas de carne e osso, com as mesmas dores e temores, todos do mesmo lado. Calma! Tá tudo diferente, mesmo. A plataforma Globo Play disponibilizou seus desenhos animados e demais atrações infantis de forma totalmente gratuita para colaborar com o entretenimento das crianças que estão com as aulas suspensas. As máquinas de cartão estão oferecendo vantagens, os bancos proporcionando linhas de crédito, os aplicativos de delivery com cupons de desconto e os restaurantes oferecendo entrega mais barata ou, em alguns casos, até mesmo gratuita. Está ruim, mas ainda existem boas intenções. Cada um cede um pouco, dá um mínimo do que pode e contribui com a função que exerce na sociedade. A comunicação informa, orienta, traz entretenimento e também ajuda, também se doa. Há maldade, mas ainda há positividade em meio à onda viral. Tá tudo tão diferente, as pessoas estão com tempo sobrando. Estão achando brechas enormes para ficar com a família, para curtir a casa, para relembrar os valores simples que já haviam esquecido. Tá tudo tão diferente. Até mesmo as boas intenções, demonstrações e ações que ainda nos surpreendem.




