Pandemia
Não tem jeito, morre torto. O chiste popular é este. E cai como uma luva no presente. Foi só aparecer um feriado para gentes de todas as classes e categorias correrem para as praias e locupletarem as mesas de bares. A pandemia continua e agradece as gigantescas aglomerações formadas no feriadão. Daqui a alguns dias, vamos ver se registramos uma curva ascendente no número de contaminados e mortos, em função da ausência de cuidados nesses dias, ou, quem sabe, veremos a prova definitiva de que Deus é brasileiro e concedeu a graça de afastar do nosso meio essa demoníaca Covid-19. Tenho a impressão de que não será ainda desta vez que o Misericordioso mostrará ter escolhido nossas plagas como seu habitat terreno.
Paulo Guedes
A esfera política indica que aliviará a reforma administrativa, amenizando pontos fixados pela área do Paulo Guedes. Maia e o ministro estarão juntos em live esta semana, apesar da exposta disposição do presidente da Câmara em estabelecer certo distanciamento de Guedes. Mas a política é uma gangorra. Vai e vem. Os parlamentares querem se livrar logo da pauta reformista que chegou ao Congresso para se dedicar à campanha municipal.
Reforma tributária
Apesar do esforço de muitos e da maratona de palestras do Luiz Carlos Hauly, o nosso mestre na frente dos tributos, será muito difícil que esta seja levada a cabo nas próximas semanas. Dependerá e muito de equilíbrio e consenso, coisa difícil em matéria de recursos para municípios, estados e União. A simplificação e a junção de alguns tributos em um só, nos moldes de um IVA, parece situação consensuada. A chave da porta está com Rodrigo Maia, hábil na arte da articulação.
Desce ou sobe
O auxílio de R$ 300 até o final do ano e a concentração de outros instrumentos que integram o pacote assistencialista no programa Renda Brasil deverão chegar a uma conta que não diminua o montante hoje auferido pelas margens. Questão de vida ou morte para o presidente. O eleitorado carente sabe qual o tamanho do pacote que chega à sua casa. Cortado, Bolsonaro descerá o despenhadeiro. Aumentado, subirá às estrelas.
Lava Jato
Observação da mídia e dos analistas: os políticos, sob a égide do procurador-geral Augusto Aras, estão apreciando, e muito, a desidratação da operação Lava Jato. Os demissionários procuradores de São Paulo e o afastamento de Deltan Dallagnol foram comemorados por ampla galera. Os advogados criminalistas vivem momentos de confraternização. E apostam que o novo presidente do STF, Luiz Fux, contribuirá para a desidratação da LJ. Anote-se que, nos últimos tempos, sob o clima da pandemia e das atividades virtuais dos ministros da Corte, a operação perdeu fôlego.
R$ 1 bilhão para credos evangélicos
Os credos evangélicos viram aprovado um projeto que anula dívidas tributárias acumuladas por eles, com multas aplicadas pela Receita Federal, coisa se R$ 1 bilhão. Repito: R$ 1 bilhão. A bancada evangélica faz parte do bastião de defesa e apoio ao presidente, que terá até sexta- feira (amanhã!) para sancionar o projeto, de autoria do deputado David Soares (DEM-SP), filho do missionário R.R.Soares. A coisa mais parece um “toma lá, dá cá”. Para conceder este tipo de anistia, deve estar sobrando muito dinheiro no caixa do governo.
Enquanto isso na Alemanha…
A chanceler alemã Angela Merkel, líder de uma potência, uma das pessoas mais poderosas do planeta, não recebe nenhum serviço gratuito do Estado. Nenhum, repito. Privilégio passa longe do cargo. Nem moradia, luz, água, gás ou telefone grátis. Nenhuma de suas despesas pessoais é paga pelo povo alemão. Qualquer cidadão pode circular pela calçada do edifício de Berlim onde ela e o marido vivem.
Gaudêncio Torquato é jornalista




