É necessário abrir espaço para que novas tecnologias adentrem e estimulem a pesquisa, a utilização tecnológica.
Com exceção de nós, brasileiros, a maioria dos outros países considera que nossa economia é uma das mais fechadas do mundo. Por termos uma população enorme e vantagens climáticas, os países ao redor do globo insistem em negociar com a gente, mas muitos deles vêm perdendo a paciência, pois, além da dificuldade tributária e fiscal, quando conseguem ultrapassar essas barreiras, ainda se deparam com muitas amarras burocráticas que para eles não fazem o menor sentido. Essas amarras vão desde atrasos em rodovias, portos e exigências de toda natureza, que acabam demorando a entrega e empacando outros produtos da cadeia produtiva. Quando se trata de produtos importados, houve grande evolução nas últimas décadas, contudo ainda há muito o que ser feito, já que, quando comparado com o restante dos países, a participação brasileira é pequena. Esse isolamento é prejudicial para a economia nacional, uma vez que impede a entrada de inovações e a livre concorrência, que baixaria o preço para os consumidores. Quando se trata de exportações, o produto brasileiro é mais caro. Primeiro porque os impostos são muitos, segundo porque os produtos brasileiros são agregados de um custo estrutural enorme. Para chegar ao porto, por exemplo, grande parte das safras são escoadas por rodovias, o que encarece o preço final, enquanto em países mais conscientes a safra anda por ferrovias. Em síntese, o Brasil exporta poucos produtos manufaturados e, logicamente, a conta não fecha, pois exportar produtos sem valores agregados e importar com alto valor agregado causa uma diferença enorme. Sendo assim, a questão crucial é o ganho competitivo para concorrer de igual para igual no comércio internacional e, certamente, o que deve ajudar é uma política voltada para incentivo à inovação, abrindo mão do protecionismo, além do apoio para soluções logísticas via casos de sucessos internacionais. Contudo, não é uma tarefa fácil, uma vez que são anos de políticas de proteção e criação de normas e leis burocráticas difíceis de serem alteradas ou extintas. Um exemplo são os empréstimos do BNDES, que exigem que a compra de equipamentos seja feita de produtos nacionais. Todos esses empecilhos causam atraso no desenvolvimento das indústrias que, com dificuldades de acesso à inovação, acabam por não possuir determinadas tecnologias, implicando na perda de competitividade. Ainda assim, a proteção pode ser justificável em alguns casos, a exemplo do uso de trabalho análogo à escravidão e o descumprimento de tratados internacionais. Porém, de maneira moderada, é necessário abrir espaço para que novas tecnologias adentrem e estimulem a pesquisa, a utilização tecnológica e o aumento significativo da manufatura em nosso país.





