Novamente o crédito descontrolado fazendo efeito no País, e o que está acontecendo hoje é responsabilidade de quem estava no passado, que agora posa de defensor da justiça e do bem comum em suas contas de twiter e facebook.
Cansados com os altos preços dos combustíveis, caminhoneiros de todo Brasil pararam. A rotina sacrificante, o tempo longe da família e horários desgastantes fazem desse nobre ofício uma dificuldade extraordinária, de sul a norte. No cálculo do combustível, sabe-se que pelo menos 45% do valor são taxações do Governo, e a revolta fica ainda maior quando circulam vídeos de nossos vizinhos paraguaios, entre outros, utilizando combustível de origem brasileira pela metade do preço. Especificamente nos últimos meses, o preço do petróleo passou a acompanhar o valor do barril internacional. A adoção dessa prática permite que o preço mude constantemente, e com o cenário mundial conturbado: embargos norte-americanos e a Venezuela em crise, o barril do petróleo subiu bastante, de fevereiro para cá a alta supera os 30%, quase 80 dólares. Cabe lembrar que em 2017 estava em 55 dólares. Os preços na bomba sem controle foram estopim para a crise, pois tanto os caminhoneiros quanto outros setores afetados pelo óleo e gás necessitam de previsibilidade para operar. Junte-se a tudo isso a desvalorização do real, que vem perdendo força frente ao dólar desde o início do ano, prejudicando ainda mais o que já estava ruim, ou seja, produtos importados encareceram significativamente. Mas o que muitos ainda não se perceberam é o seguinte: por que os caminhoneiros simplesmente não repassam todo esse custo ao consumidor, como todos os outros setores fazem? Esse é um grande problema econômico, ligado a uma lei básica: oferta e procura. Os caminhoneiros/transportadoras não conseguem repassar o valor do frete ao consumidor porque há fretes demais e carga de menos. Com o fraco desempenho da indústria nos últimos anos, as cargas diminuíram muito; por outro lado, o governo incentivou o crédito para compra de caminhões. Através do BNDES, linhas como Finame tiveram prazos ampliados e taxas reduzidas, a ponto de algumas empresas criarem bancos internos que atendiam (e atendem) interessados em adquirir o caminhão, além dos bancos tradicionais possuíam carteiras especializadas ao setor, estimulando a compra. Novamente o crédito descontrolado fazendo efeito no país, e o que está acontecendo hoje é responsabilidade de quem estava no passado, que agora posa de defensor da justiça e do bem comum em suas contas de twiter e facebook. A heroica jornada dos caminhoneiros certamente irá beneficiar a todos, pois ninguém aguenta mais tanto imposto, tanta roubalheira e tanta má gestão dos cofres públicos. Porém, se continuar havendo fretes demais e cargas de menos, o problema específico deles continuará. É preciso uma revisão do setor.





