O Brasil não foi a principal discussão do Fórum e o mundo tem problemas mais graves do que o tanto comentado breve discurso de Bolsonaro.
O Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, teve a participação do presidente Jair Bolsonaro e seu ministro de Economia, Paulo Guedes, que dentre diversos assuntos reforçaram a ideia de abertura de mercado e as reformas prometidas em campanha. Embora sob críticas de um discurso curto durante a abertura, conversas em jantares e encontros bilaterais foram destaques no que diz respeito à busca de investimentos para o País. Contudo, a agenda do Fórum não teve como centro de atenção o Brasil e suas mudanças, ou seja, não houve preocupação com o tal discurso com a ênfase que foi dada por aqui. Para eles o caminho traçado está correto, diferentemente da Venezuela, que foi ponto central de discussões, inclusive de apoio ao líder do parlamento venezuelano que se declarou presidente interino. As preocupações são com a democracia e garantia dos poderes constitucionais, após as eleições não serem reconhecidas naqueles País, o que gera temor de uma transição não pacífica. Outro ponto de destaque da reunião dos líderes globais foi a tensão comercial entre EUA e China, que atinge também diversos países fornecedores e compradores, podendo travar negociações, tanto que o FMI cortou previsões de crescimento, destacando desânimo de investidores. O medo é de que haja um prolongamento das tensões, além de outros problemas geopolíticos com o Oriente Médio. Enquanto isso, as atitudes eficazes de alguns países foram ressaltadas, como o caso da Nova Zelândia, que conduz uma economia voltada para o bem-estar social focada em padrões de qualidade de vida, em especial a infantil, e abordagens que auxiliem a evolução salarial. O melhor de tudo é a cobrança que recai sobre os ministros, que devem apresentar em suas propostas o que de efetivo irá melhorar para a vida dos neozelandeses. Outro destaque foi a participação das mulheres na recuperação econômica do Japão, com a entrada de dois milhões de mulheres que impulsionaram a economia japonesa desde 2012, juntamente com a valorização do trabalho da terceira idade, salientando que um País envelhecido também pode crescer. Por fim, a atenção dada a situação dos refugiados e a situação dos acampamentos, ferindo a dignidade das pessoas, seja pela falta de ética nos tratamentos, violência e descrença no futuro. São pessoas que foram expulsas de seu lar por diversas calamidades, sejam de conotação ambiental, conflitos violentos ou falta de mantimentos para a subsistência. Percebe-se então que o Brasil não foi a principal discussão do Fórum e o mundo tem problemas mais graves do que o tanto comentado breve discurso de Bolsonaro, que ao chegar em solo brasileiro teve sim um motivo para se preocupar, que foi o rompimento da barragem de Brumadinho e mais tantas outras que estão em perigo de rompimento.




