A busca por melhores condições de vida está estritamente ligada ao seu nível de renda, o que trata outro ponto da declaração, que é a educação financeira.
É possível ter uma economia socialmente justa, viável, ética e ambientalmente responsável? É o que propõe a Economia de Francisco, em referência a São Francisco de Assis, que deixou uma vida de riqueza para viver na pobreza. A proposta atual, convocada pelo Papa Francisco no ano passado, demonstra preocupação com as questões econômicas e algumas mazelas que afetam a vida da população mundial. Através de uma comunidade criada com jovens ligados à economia, empreendedores e diversas outras áreas, foi realizado um evento on-line em novembro de 2020, que resultou numa declaração que envolve 12 pontos de empenho individual e institucional para todos.
Um conceito que perpassa este tema é o da escassez de recursos, pois o que ocorre não é exatamente a escassez, mas sim a falta de partilha. Ao observar o nível de riqueza acumulada de alguns poucos, percebe-se que seria possível diminuir a pobreza mundial. É, portanto, um problema resolvível como o próprio pontífice afirma: “Um mundo rico e uma economia vibrante podem e devem acabar com a pobreza”.
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Essa tratativa do sumo pontífice é especial ao somar as quebras de paradigmas de que estes temas escapam do contexto religioso, muito pelo contrário, haja vista que temas como preço justo, valor do trabalho e desigualdade são amplamente debatidos nas congregações, além é claro da avareza, luxúria e gula. Em um dos 12 pontos é tratada a questão dos bens comuns (atmosfera, florestas, água e outros recursos naturais).
É necessário um debate mais amplo por parte dos governos, pois a questão dos bens comuns se trata de relacionamentos entre gerações. Entender os problemas sob uma perspectiva histórica nos faz pensar como o mundo estará daqui a 20, 30 anos ou mais e se os recursos disponíveis hoje estarão presentes para as gerações futuras. Assistimos, passo a passo, a degradação dos recursos como água, florestas, oceanos e a consequente poluição do ar.
Isso acontece muitas vezes pela apropriação indevida de alguns poucos, sem o devido conhecimento de todos e muito menos sem debate em torno do tema. Por isso, o gerenciamento do solo, da água, praças e ruas deve acontecer de maneira eficiente pelos governos locais, priorizando o interesse de todos. Nesse sentido, não basta taxar ou pedagiar os bens comuns gerando lucros, onde poucos destes são destinados à preservação dos próprios recursos naturais, deixando em desvantagens aqueles que não podem pagar pelo uso desse recurso.
Em termos financeiros, a busca por melhores condições de vida está estritamente ligada ao seu nível de renda, o que trata outro ponto da declaração, que é a educação financeira. O aumento na renda significa melhor alimentação, mais acesso a bens e serviços, incluindo melhores serviços de saúde.





