O último caso de “circuit breaker” foi conhecido como Joesley Day, em referência ao então diretor da empresa JBS, na época descoberto em conversa gravada com o então presidente Michel Temer.
A Bolsa de Valores de São Paulo acionou por duas vezes, na última quinta-feira, o chamado “circuit breaker”. A primeira interrupção foi por volta das 10h20min e a segunda, às 11h12min, momentos em que o índice registrava queda de 11,65% e 15,43% respectivamente. Esse mecanismo é utilizado para evitar oscilações extremas, normalmente tomadas pelo pânico, com objetivo de proteger as ações de empresas contra uma volatilidade incomum. O funcionamento se dá quando o índice varia mais de 10% e a interrupção é de 30 minutos. Após o retorno das negociações, se o índice atingir 15% de variação, a Bovespa pode suspender o pregão por uma hora e, por fim, se a variação atingir 20%, as negociações são interrompidas por tempo indefinido. O último caso de “circuit breaker” foi conhecido como Joesley Day, em referência ao então diretor da empresa JBS, na época descoberto em conversa gravada com o então presidente Michel Temer, para compra do silêncio de políticos. O caso de quinta-feira, 12, chama a atenção devido ao segundo acionamento, fato raro no mercado financeiro. O botão do pânico, como é conhecido entre os operadores de ações, já havia sido acionado na segunda e quarta-feira devido à disseminação do coronavírus, que colocou em quarentena uma grande quantidade de cidades pelo mundo. No entanto, neste dia 12, o catalisador das perdas foi a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, em suspender as viagens da Europa para os EUA por 30 dias. Além disso, a guerra comercial entre Rússia e Arábia Saudita vem derrubando o preço do petróleo e interferindo em empresas como a Petrobrás. Como visto, são muitas as pressões sobre as empresas, e como o mercado é especulativo, muitos investidores começaram uma verdadeira fuga de ativos de risco, que é o caso de investimentos em bolsas. Outras bolsas de valores também interromperam suas negociações mundo afora. O S&, P500, nos EUA, e o índice europeu Stoxx são exemplos dessa interrupção. O crescimento das empresas depende das negociações entre países, e essa suspensão norte-americana foi um golpe direto nas grandes empresas. Toda essa confusão atingiu também o câmbio. A moeda americana chegou pela primeira vez na história a R$ 5. A procura por ativos de maior segurança, como títulos norte-americanos, estimula a procura pelo dólar, que fica escasso. Tanto o governo brasileiro quanto o governo do EUA estão procurando acalmar os mercados injetando mais dólares na economia.




