O Brasil está no meio do caminho quando comparado com outros países
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), do Brasil, foi de 7,7% no terceiro trimestre deste ano, refletindo uma melhora econômica relevante, mas que ainda não conseguiu recuperar as perdas da pandemia, que viu seu ápice no segundo trimestre, com perdas de -9,6%, provocando uma crise em todos os setores da economia. O crescimento de 7,7% foi o maior já registrado desde 1996, início do cálculo trimestral.
O maior havia sido em 1994, na época com alta de 4,3%. Cabe lembrar que o PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, e mede a evolução da economia de uma Nação ao longo de determinado período.
O destaque do crescimento foi a indústria de transformação, respondendo por 23,7% do PIB. O comércio com 15,9% e serviços com 6,3%, acompanhados pela construção civil com 5,6% também figuraram bem no cenário do terceiro trimestre deste ano.
Apesar da alta, o acumulado do ano segue em queda para maioria dos setores. O setor de serviços, um dos mais importantes da economia, teve uma queda de 9,4% no segundo trimestre e, considerando o acumulado total a queda ainda é de -5,3% e a indústria com -5,1%.
O Brasil está no meio do caminho quando comparado com outros países, ou seja, não cresceu tanto como Espanha e França, com altas de 16,7% e 18,7% respectivamente, mas conseguiu ficar à frente dos EUA, Chile e Japão, com 7,4%, 5,2% e 5%, respectivamente.
O que mais preocupa é o consumo das famílias, ainda longe do ideal; apesar da alta de 7,6%, fica distante da recuperação da queda de 13,3% acumulada no primeiro semestre. Fato semelhante quando olhamos os investimentos, que também apresentam dificuldades de recuperação.
Diante deste cenário, é como se o País voltasse aos patamares de 2017, pois a estimativa é de que a queda anual seja de -4,4%, atrasando mais uma vez o crescimento tão esperado acima da média mundial. Isso porque, se consideramos a década, o Brasil não cresceu 2,5%, sendo que o PIB global foi de 30,5% de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A situação se agravou no período entre 2014 e 2016, pela crise econômica que durou 11 trimestres, resultado catastrófico de intervenções econômicas equivocadas na tentativa de estimular o crescimento econômico.
Assim, após algumas decisões acertadas entre 2017 e 2019, e o País voltando ao eixo, o sonho de um PIB mais expressivo foi adiado pela pandemia. Resta agora a esperança em 2021, que pode surpreender devido ao forte estímulo governamental nestes últimos meses, contudo, para isso, questões políticas devem ser resolvidas, como o destravamento por parte do Legislativo.








