Memorizar não é tudo, é importante entender as coisas que não há como explicar por meio da decoreba. Mas o ato de decorar é um primeiro passo, pois a repetição traz uma memória forte e duradoura.
A decoreba saiu de moda; entrou em cena a construção do conhecimento livre e por meio da informação, tomando conta dos diversos ambientes de aprendizagem.
Quem não se lembra daquele lápis com a tabuada que usávamos antigamente? Hoje é difícil encontrá-lo por aí. Contudo, quem é das antigas deve lembrar que memorizar números e letras fazia parte do cotidiano, em especial das crianças.
Decorar é uma técnica valida e útil, pois estimula o uso da memória, conduzindo ao aprendizado. Logicamente que memorizar não é tudo, é importante entender as coisas que não há como explicar por meio da decoreba.
Mas o ato de decorar é um primeiro passo, pois a repetição traz uma memória forte e duradoura. Fazendo uma analogia ao exercício físico em uma academia, a memorização é um exercício excelente para o cérebro humano.
O exercício da memória de forma disciplinada traz um ganho muito grande, e engana-se quem despreza este valoroso esforço considerando-o antiquado e desatualizado, pois é por meio dele que se abrem as portas para formas de aprendizagem mais complexas e modernas.
Do ponto de vista da utilidade da memória, a poesia, por exemplo, possui uma articulação lógica de sentido da mensagem estimulando o raciocínio individual e a compreensão da mensagem. Lembro-me que para declamar o bochincho foi necessário compreender algumas palavras da cultura gauchesca — banzé, costado, percanta, talonaço —, sem contar tantas expressões utilizadas como recursos da linguagem.
Assim, quando criança também decoramos poemas diversos, mesmo não entendendo na totalidade suas mensagens, sendo, nesse caso, a retenção de atenção o principal ganho. Aquilo que se coloca atenção é o que se lembra com mais facilidade.
Neste contexto, um dos efeitos ruins da tecnologia é a perda da atenção, ao conduzir para uma distração rápida e superficial, ou seja, não estamos mais acostumados a dedicar a atenção em algo.
Já na vida pessoal, a apreciação duradoura de algo se torna um tédio, perde-se o gosto por uma música clássica, um texto longo e até mesmo a atenção nas pessoas, que fica impossibilitada quando não detemos a atenção necessária.
Este processo todo, ou melhor, o adormecimento do esforço mental em prol do rápido prazer, conduz a incapacidade de análise financeira de longo prazo. Trocam-se alguns minutos ou horas por condições melhores no futuro.
Assimilar nuances da bolsa de valores, relembrar notícias de várias fontes e a capacidade de repetição de movimentos de recuperação econômica exige um esforço mental enorme, ou seja, muito foco e atenção.





