O Estado, quando detentor de empresas, vira concorrente das empresas privadas, com um problema agravante de desigualdade, pois empresas públicas recebem incentivos que as privadas muitas vezes não possuem.
O liberalismo tem como primazia o livre mercado e causou avanço para o progresso de alguns países que o utilizaram. O principal exemplo são os Estados Unidos da América, um dos mais poderosos economicamente. Mesmo que não aplicado em sua totalidade, países da América Latina que possuem viés liberal estão melhores socialmente e economicamente do que aqueles que adotaram regimes socialistas, ou intervencionistas, sendo o Chile o melhor exemplo. O Estado de Direito e a propriedade privada são pontos chave na melhora de índices de desenvolvimento. No Brasil, uma corrente neoliberal foi adotada nas décadas de 1980 e 1990, quando progressos foram conquistados em todas as esferas. Certamente, possibilitou o avanço social conquistado nos anos 2000. Foi o que preparou terreno para que estas ações sociais pudessem ser aplicadas. Contudo, esse preparo que se obteve para que possibilitasse o avanço social foi injustamente esquecido. O Plano Real, que abriu as portas para a estabilidade, é ignorado por aqueles que aproveitaram do projeto como mecanismo de estabilidade e crescimento. A cultura de que o Estado deve prover de tudo ao cidadão se arraigou, e as pessoas se acostumaram com isso, o que é um problema, pois a fonte seca. Mesmo os melhores planos não conseguem sustentar tanta gente por tanto tempo. Nessa linha, o Estado, quando detentor de empresas, vira concorrente das empresas privadas, com um problema agravante de desigualdade, pois empresas públicas recebem incentivos que as privadas muitas vezes não possuem. O pior é que as empresas do Estado, que recebem tais vantagens, são bancadas pelas empresas privadas que, além de sofrer com concorrência desleal, devem financiar as próprias concorrentes. Para não ir longe, os bancos públicos, postos de combustível e entrega de encomendas são alguns exemplos de concorrência entre privado e público. Dessas relações surge certa desconfiança do liberalismo e confunde as pessoas, pois o liberalismo não consegue mostrar inteiramente sua face. É certo que os defensores do liberalismo são raros, muitos se utilizam da retórica para alegar alguns pontos liberais. Mesmo assim está cada vez mais claro que as demandas atuais requerem atitudes liberais. Nesse sentido, a busca da eficiência por parte das empresas, meritocracia e fortalecimento do direito do cidadão devem balizar o comportamento dos representantes, para que seja possível atuar no social e apoiar instituições que o fazem com mais assertividade.





