O que acontece é que algumas escolas estão deixando de ensinar português e matemática para discutir assuntos de doutrinação, aproveitando da audiência
O ensino domiciliar é aquele em que um professor diplomado, normalmente um familiar, leciona na própria residência da criança. Tal prática é legalizada em países como Estados Unidos, Canadá, França, Itália e Portugal, entre outros. Mas é considerada crime em outros lugares, como na Alemanha. No Brasil, pode ser considerado crime também, uma vez que a interpretação condiz com a falta de garantia à educação pelos pais ou responsáveis ao não levarem seus filhos à escola, algo obrigatório nas leis brasileiras. Ou seja, a comprovação se dá por meio da apresentação da matrícula do menor e, caso haja uma denúncia e não se apresente tais documentos, os pais podem ser presos. Contudo, já existem entendimentos jurídicos que deixam em aberto a prática do ensino domiciliar e uma forte tendência de praticantes por aqui. Mas a pergunta é: por que algumas famílias estão preferindo ensino domiciliar ao invés do convencional? No livro “The Homeschooling Revolution”, de Isabel Lyman, algumas motivações foram levantadas, como: 1. Insatisfação com o ambiente escolar, 2. Falta de segurança nas escolas, 3. Nível técnico precário, 4. Pautas religiosas que diferem da família da criança, 5. Diferenças ideológicas que ali não deveriam ser debatidas. A educação infantil é o pilar do conhecimento de nossas vidas e, quando bem desenvolvida, fornecem base para estudos na faculdade e, consequentemente, na carreira escolhida. O indivíduo mal preparado até o Ensino Médio terá dificuldades de desenvolver raciocínios em sua profissão escolhida, gerando atrasos e problemas de alocação. O que acontece é que algumas escolas estão deixando de ensinar português e matemática (pelo menos em tempo de aula) para discutir assuntos de doutrinação, aproveitando a audiência cativa das crianças para impor opiniões, crenças e concepções morais, algo que deve ser feito em casa. O pior é que isso acontece sem que os pais saibam, daí aqueles que podem pagar migram para colégio privado, já outros estão optando pelo ensino domiciliar, quando há alguém na residência que possa realizá-lo. Para finalizar, os defensores do ensino domiciliar argumentam que o aluno que estuda em uma instituição de ensino fica moldado para ser igual aos outros, como se fosse um produto. Por mais que o ritmo de aprendizado seja diferente, o aluno é obrigado a esperar os colegas para prosseguir na matéria, e os alunos com maiores dificuldades são taxados de fracassados. A escola, contudo, contém grandes benefícios e a interação é o principal deles, além de diversas atividades que são desenvolvidas no ambiente escolar e que não podem ser feitas em casa. Mas o direito de escolha dos pais deve ser preservado; cabe uma análise mais profunda e até mesmo uma regulamentação dessa prática.







