O sacrifício para abrir uma empresa no Brasil

Em Portugal, o tempo para você abrir uma empresa é de três dias, basta um cadastro, alguns documentos e o contrato e pronto! No Brasil, o tempo é de cerca de cinco meses.

Em Portugal, o tempo para você abrir uma empresa é de três dias, basta um cadastro, alguns documentos e o contrato e pronto! Você tem uma empresa. Suponha que você queira abrir uma camisaria. No Brasil, o tempo que você terá todas as autorizações é de cerca de cinco meses. Enquanto em Portugal seu negócio estará em condições de funcionar depois de amanhã, por aqui você levará mais de cem dias atrás de papelada, cobranças e taxas, cartórios e licenças ambientais, sem contar as filas e o famoso “jeitinho” para lidar com fiscais. Sua camisaria, após aberta, levará os cinco primeiros meses de cada ano para pagar impostos: ICMS, INSS, Cofins, PIS/Pasep, FGTS, IPI, tributos municipais, entre outros. E, além de pagar, você perderá tempo, muito tempo, imprimindo boletos, se dirigindo até a instituição financeira que o governo escolheu, enfrentar mais filas em vez de estar em sua empresa produzindo. Ah!, se você não fizer, fecham sua empresa e você ficará negativado junto aos órgãos de proteção ao crédito, ou seja, CPF sujo. Considerando a contratação de dez operários, durante todo esse tempo essas pessoas estarão em casa, sem renda. Na Europa em quatro ou cinco dias elas estariam empregadas e movimentando a economia. Mas a situação pode ficar pior. Um funcionário que recebe R$ 1.000 por mês, na realidade custa em torno de R$1.667, por conta dos encargos sociais e sindicatos, ultrapassando seu custo original em mais de 50%. E, por causa disso, as empresas contratam menos e o funcionário vai ter que trabalhar 50% a mais para justificar sua renda. Existem muitas teorias para melhorar a empregabilidade num país, mas a principal, que passa pela redução do custo de contratação, é pouco explorada, o que aumenta a informalidade e perda de direitos trabalhistas, isso quando não lotam os fóruns judiciais com ações de toda natureza. Com esse desafio (e aventura) para abrir uma empresa, os empreendedores ficam desanimados com as exigências regulatórias e aqueles que encaram a batalha observam um governo gigantesco arrancar o pouco progresso que conseguem, conduzindo o capital para sustentar o sistema político, que não reverte em saúde, educação e segurança na mesma proporção a qual recebe.

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