Não se mede a inflação de um só produto e sim de vários. Sendo assim, quando um produto aumenta bastante, não significa que a inflação também aumente.
Estamos iniciando fevereiro, e no mês passado foi divulgada a inflação de 2017, que fechou em 2,95%, abaixo da meta de 3%, fixada pelo governo, fato inédito desde a adoção do regime de metas. Mas o que vem causando estranheza, por grande parcela da população, é o sentimento de que os preços aumentaram. E por que isso acontece? Primeiramente é importante explicar o que realmente é inflação: aumento médio de preços num determinado período e de uma determinada cesta de produtos, ou seja, não se mede a inflação de um só produto e sim de vários, por isso, na média, a inflação pode parecer diferente de quando você olha um produto apenas. Sendo assim, quando um produto aumenta bastante, não significa que a inflação também aumente, isso porque o peso desse produto na cesta de compras é menor. Por outro lado, se um produto que tenha um peso maior na cesta, como é o caso de alimentos, estiver caindo, isso pode impactar significativamente na inflação. E foi justamente isso que aconteceu em 2017. São vários índices que medem nossa inflação. O mais comum deles é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), que é calculado para famílias que possuem renda de 1 a 40 salários mínimos e englobam despesas como alimentação, moradia, educação, comunicação e transporte. Mas existem outros de igual importância, como IGP-M, que considera variações de preços no atacado, ao consumidor e custo da construção. O governo é o principal interventor da inflação. Quando ele aumenta a oferta de moeda por exemplo, ele está adotando uma política chamada expansionista, que faz com que os preços dos produtos aumentem, pois existe mais dinheiro disponível para as pessoas. Um bom exemplo disso é a liberação do crédito com juros mais baixos. Quem tem grande vantagem são aqueles mais próximos ao governo, que, ao emprestarem o dinheiro disponível, poderão comprar os itens disponíveis no mercado. Os próximos terão que esperar a fabricação de novos itens, que logicamente virão mais caros, pois tudo que está em falta tem seu preço elevado. Esse é o fenômeno da escassez. Portanto, a desconfiança com a inflação é justificada, mas é importante entender que existem muitas variáveis por traz da inflação do que simplesmente o aumento do combustível e do gás, existem outros produtos que pesam mais na cesta mensurada, além, é claro, dos fatores como crédito e políticas econômicas adotadas.






