deflação
São raras as vezes em que o Brasil presenciou o fenômeno da deflação. O que temos normalmente é a inflação, situação contrária, em que os preços sobem. O caso mais emblemático ocorrido por aqui foi durante a crise de 1929, e naquele momento o governo brasileiro precisou queimar sacas de café, pois os outros países não compravam, ocorrendo sobra desse produto e consequentemente a queda nos preços. Mais recentemente, em 1998, a crise das commodities também fez os preços caírem. Veja que os acontecimentos foram em períodos conturbados da história, ou seja, deflação é o sintoma de que algo não vai bem. Contudo, é importante entender que a deflação ocorrida no mês de junho é ocasional, não configurando um período deflacionário, que deve ter uma tendência maior de que seis meses, por exemplo. Dessa forma, é importante, sim, comemorar a deflação do mês passado, primeiramente pelo lado do consumidor, que chega para comprar um determinado item e vê o preço mais baixo, ou abastecer o carro e conseguir uns litros a mais pelo mesmo valor. Mas e os empresários, como ficam ao ter que baixar o preço? Ficam mais eficientes, tendem a reduzir custos e ajustar suas operações. Aumentar o preço é muito fácil para cobrir todos os gastos da empresa, mas na deflação não se pode aumentar preço, a concorrência não permite, e o empresário se vê obrigado a aumentar a eficiência. Voltando a frisar sobre a deflação, um longo período com ela logicamente não é benéfico, mas um período curto pode significar que houve aumento da concorrência, juros mais baixos e aumento da oferta de bens e serviços. Os pessimistas irão dizer que a deflação é consequência da falta de consumo. Pode até ser, em alguns setores, mas para a grande maioria o consumo continua e, caso o consumo caia, no futuro ele vai acontecer, por reversão da poupança, logo, pessimistas de plantão, tentem buscar fatores otimistas, porque eles existem. O fato é que, se somos forçados a tolerar e suportar uma recessão causada pelo governo, então que seja com deflação – e não inflação -, pois quem é que deseja que seu salário perca o poder de compra? Quem é que quer pagar mais pelos produtos que necessita comprar no dia-a-dia? Afinal apesar de a deflação ter acontecido no mês passado, alguns setores ainda estão inflacionados e, pior, a queda de preço é momentânea, então deixe-nos aproveitá-la.




