Economia
Quando se trata de finanças, se você gasta muito hoje, poderá faltar amanhã, ou seja, gastar no presente significa ter problemas no futuro. Essa escolha de tempo para os gastos, pode ser chamada de troca intertemporal. As escolhas que fazemos no presente, impactam em nossas vidas no futuro e mesmo que momentâneas, conduzem resultados do que acontecerá. Considere que você deseja comprar um produto qualquer no valor de R$ 2000 e que você possua apenas R$ 1.100, nesse caso faltam R$ 900 para que você consiga adquiri-lo.
Após algumas análises, para verificar se é possível comprar o produto, você percebe que é possível guardar R$ 300 por mês. Assim, você levaria três meses para obter a quantidade necessária para comprar o produto. Contudo, se você desejar adquirir o produto imediatamente, você pode levantar o valor necessário de outras formas, como por exemplo pegar um empréstimo de R$ 900 e comprar hoje mesmo. Isso seria muito simples, se não fosse por um detalhe: os juros. Caso você proceda dessa forma, pagará bem mais que os R$ 300 por mês, ou demorará mais tempo para quitar o empréstimo do que se tivesse decidido poupar. Certamente, você terá o benefício de ter o produto no momento que deseja, porém, pode ter insolvência no futuro, principalmente se você não conseguir quitar as parcelas, acarretando mais juros e talvez multas. Agora, pense de forma contrária, ou seja, que você possui os R$ 2.000 para comprar tal produto, mas pode deixar para fazer isso daqui seis meses. Se você investir esse valor, abrindo mão de sua compra momentânea, poderá no futuro comprar o produto e ainda lhe sobrar uma quantia do valor investido. Veja que nesse caso você trocou o consumo pelo investimento e, por isso, receberá rendimentos futuros. Seguramente, esse tipo de decisão não é fácil e vai depender da sua urgência. Apesar disso, é necessário entender essa dinâmica e dispor dessa possibilidade para casos que sejam possíveis de aplicar. De forma simplista, esses cálculos podem ajudar nas escolhas, mas existirão casos de juros baixos e prazos dilatados, cabendo a você analisar se é vantajoso ou não, ou seja, não existe escolha certa ou errada e sim aquela mais proveitosa para você.
Robson Faria
Professor do curso de Administração de Empresas do Centro Sul-Americano de Ensino Superior (Cesul), em Francisco Beltrão.




