
Por Niomar Pereira – O reajuste dos combustíveis na última semana (de 18,8% na gasolina e de 24,9% no diesel) fez aumentar a defasagem do valor do frete, conforme lideranças do segmento e ouvidas pelo JdeB. Ezidio Salmória, presidente da Coptrans, diz que os embarcadores repassaram um aumento de 12% para os transportadores, ou seja, menos de 50% do reajuste. “Então, essa diferença a categoria vai amargar mais uma vez. Não tem mais onde acumular perdas, mas é aquela coisa se parar o bicho pega, porque o transportador também tem suas parcelas pra pagar.”
Segundo ele, o combustível já representa mais de 55% do valor do frete. Há ainda outros custos como peças e pneus. A Coptrans tem 400 caminhões que atuam para grandes empresas. Ezídio salienta ainda que a quebra da safra agrícola da região foi outro fator que prejudicou a categoria.
Recomposição imediata
A CNT (Confederação Nacional do Transporte) defende a recomposição imediata do preço do frete rodoviário para evitar o colapso de inúmeras empresas transportadoras, que, antes mesmo desse novo reajuste, já vinham negociando com os seus clientes o repasse dos quase 50% de aumento no diesel registrado em 2021.
Luiz Carlos D’Agostini, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes do Sudoeste do Paraná (Setcsupar), entende que o frete deveria ser tabelado por quilômetro rodado e acompanhar o reajuste dos combustíveis. “O setor está parado, mesmo as mecânicas, as recapadoras e setor de peças todos estão com dificuldades.”
Lei de oferta e procura
Gilberto Gomes, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos do Sudoeste do Paraná (Sinditac), ressalta que o impacto para o setor é gigantesco. “Infelizmente o valor do frete no País obedece a lei da oferta e da procura. E não tem o que fazer. Então vejamos, época de safra ele aumenta, época de entressafra ele baixa. O preço da tonelada para Paranaguá (porto) está em R$ 90 e esse valor já vem desde 2015, 2016. E de lá pra cá o valor do óleo diesel quase triplicou. O frete não paga o custo do caminhão. O transportador está pagando pra levar o produto pra determinado local; pra carregar naquele local pra um outro destino e ver se sobra alguma coisa.”
Ele destaca que o aumento dos combustíveis não pode ser atribuído apenas a um fator e está muito sujeito a oscilações externas. Neste momento, por exemplo, sofre os impactos da guerra na Ucrânia. “Tem ainda atos de governos passados que deixaram um ônus que nós brasileiros estamos pagando. Sabemos que essa política de preço de paridade internacional, o PPI, que foi instituída em 2017 pelo então presidente Michel Temer é o que tem judiado, em contrapartida a gente vê a Petrobrás anunciar lucros astronômicos.”
Paralisação?
O sindicalista acredita que esse custo repassado ao transportador vai chegar ao consumidor final. Para Gilberto Gomes, apesar das dificuldades do setor de transporte, não deve ocorrer uma paralisação nacional neste momento. “Vai se fazer uma paralisação pra quê? Pra pedir do valor do dos combustíveis? Sabemos que não depende só de fator interno isso aí. Tá? Isso aí é dar murro em ponta de faca. Ah! Vai se fazer uma paralisação pra se pedir aumento do frete. Quem regula isso é a lei de oferta e da procura.” Gilberto ressalta, contudo, que podem ocorrer paralisações regionalizadas de diferentes segmentos dentro do setor de transportes.
Preço do diesel teria que ser ainda maior
NICOLA PAMPLONA – Folhapress – Dados da Abicom (Associação Brasileira de Importadoras de Combustíveis) mostram que o recuo das cotações do petróleo logo após o mega aumento promovido pela Petrobrás reduziu para apenas 2% a defasagem no preço interno do diesel.
Segundo essa projeção, o preço médio do diesel no Brasil iniciou o dia apenas R$ 0,10 por litro abaixo da paridade de importação, conceito usado pela Petrobrás para definir seus preços que considera o custo para trazer o produto do exterior.
É o menor valor desde o fim de dezembro. A tendência é que a defasagem se reduza ainda mais, já que as cotações internacionais do petróleo seguiram em baixa nesta terça-feira, 15, com o petróleo Brent operando abaixo de US$ 100 pela primeira vez em cerca de um mês.
Um dia antes do reajuste de 24,9% promovido pela Petrobrás, o preço médio do diesel no País estava R$ 1,17 por litro abaixo da paridade de importação, uma defasagem de 24%. Dois dias antes, a diferença era de R$ 2,54, ou 40%.




