Preconceito com as doenças mentais é discutido em redação do Enem

Alunos e professores consideram tema pertinente e que pode ser relacionado com a campanha do Janeiro Branco.

Júlia Fernanda Ranucci Fernandes, 22 anos.

“O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira” foi o tema da redação do Enem deste ano e agradou muitos candidatos, como Júlia Fernanda Ranucci Fernandes, 22 anos, estudante do Alfa de Francisco Beltrão.

“Gostei muito do tema, acho pertinente falar sobre o assunto atualmente. Nós, como sociedade, devemos aprender e entender que precisamos ser mais empáticos, porque doenças mentais são silenciosas e atingem as pessoas que menos esperamos.” Para Júlia, falar sobre o preconceito associado às doenças mentais é muito delicado.

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“É um tema que ganhou bastante popularidade nas redes sociais, principalmente agora, no período da pandemia. Nossos professores também nos ajudaram durante o ano com possíveis temas e abordaram saúde mental indiretamente, então não foi um tema complicado para redação.”

 André Luiz Ribeiro Stumpf, 17 anos.

Também é o caso de André Luiz Ribeiro Stumpf, 17 anos, aluno do Colégio João Paulo 2º, que considera o assunto fácil de escrever, “pois temos exemplos, até mesmo nesta pandemia”. Ele achou um pouco difícil a organização das ideias: “Foi complicado na parte de pensar sobre, pois acredito que a maioria de quem fez a prova já estava cansada e isso compromete muito”.Vários professores também consideraram uma questão relevante, até por ser um tema que foi trabalhado durante o ano.

“Não foi um assunto imprevisível e é uma realidade nossa, como as pessoas estão sendo atingidas e como interpretar essa nova realidade”, destaca Irineu Ferraz, diretor pedagógico do Alfa Beltrão e Pato Branco e mestre em Linguística. 

Ele acrescenta que o Enem favorece os alunos pelos textos motivadores, sempre solicitando intervenções, que são soluções e encaminhamentos. “É um assunto que precisa ser debatido. É o que queremos como cidadãos, que essas pessoas não sejam rotuladas, estigmatizadas. É uma redação com debate bom, tendo a intervenção do aluno, que deve propor a busca de ajuda.” 

 Para Amelia Rosa Dallastra Godarth, professora do Colégio Glória e mestre em Letras, esta é uma discussão importante, principalmente levando em consideração os últimos dez meses.

“Nunca tivemos tanto contato com o sofrimento psíquico como agora, além disso, no Brasil, os casos de depressão entre jovens aumentaram significativamente nos últimos anos. A saúde mental foi e é muitas vezes negligenciada e vista como ‘falta de preocupação’ ou ‘coisa de quem não tem o que fazer’, isso acaba desencorajando muitas pessoas a buscarem auxílio, muitas vezes com medo do rótulo ou estigma associado à doença. O assunto vem sendo debatido com uma maior abertura na mídia e também nas redes, fato que pode ter auxiliado os candidatos em seu repertório.”

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De acordo com professora Amélia, o processo de escrita é muito subjetivo, cada aluno vai ter seu melhor momento para escrever, no entanto, planejar o texto é imprescindível, organizar o seu repertório, as informações dos textos motivadores e estruturar o texto, antes mesmo de iniciar a escrita “pra valer”. E praticar muito antes da prova, durante todo seu percurso escolar, não só no último ano do Ensino Médio.

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“Medicalização da loucura” Carla Lavorati, doutora em Letras, achou o assunto interessante e que precisa ser discutido. Ela atua como professora colaboradora na Unioeste, campus Francisco Beltrão, e é professora de Literatura e Redação no Colégio Nossa Senhora da Glória.

“Acredito que tenha sido escolhido devido às alterações que vêm sendo propostas, nesses últimos quatro anos, para a Lei Federal 10.216. Para compreender a urgência do debate, é preciso fazer uma retomada histórica sobre a medicalização da loucura e, principalmente, pela história dos manicômios no Brasil. É preciso ter consciência que, por muitas décadas, os manicômios foram locais de depósitos de pessoas indesejadas pela sociedade, foram espaços de desumanização e, inclusive, de internação compulsória, de diagnósticos errados e de tratamentos violentos e inadequados.” 

Segundo Carla, este cenário começa a mudar a partir da década de 1970, com o começo das discussões e implementação de novas formas mais humanizadas para tratamento de doenças mentais.

“Muitos avanços foram alcançados de lá pra cá, no entanto, nesses últimos anos, vemos novamente um movimento inverso e a alteração de algumas diretrizes que orientam a lei citada. Ou seja, trata-se de um tema extremamente atual e pouco discutido pela sociedade.” 

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Para esses professores, o Enem, como vem acontecendo nas últimas edições, confirma a tradição de abordar temas de relevância social, que merecem uma discussão mais aprofundada.

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