Novo técnico foi apresentado ontem e projetou os resultados que o clube precisa alcançar no Paranaense.
O União apresentou ontem à tarde, no Estádio Anilado, o técnico Agenor Piccinin, que assume o comando do time após a saída de Raphael Bahia, segunda-feira, 10. Em entrevista coletiva para a imprensa, o treinador projetou a campanha que o clube precisa fazer para evitar o rebaixamento e, de quebra, conquistar a vaga nas quartas de final do Campeonato Paranaense.
Agenor tem 64 anos e possui um histórico de acessos e fugas de descensos. Em 2019, ele conduziu o Arapongas à vaga para a Segunda Divisão do Paranaense. No início do ano, já havia conquistado o primeiro turno e o vice-campeonato estadual com o Toledo. O convite para assumir o time beltronense em uma situação de risco partiu do diretor de futebol, Ivair Cenci. “O União está numa situação não confortável, mas com dois resultados pode estar em uma situação boa. Então, o primeiro pensamento é sair dessa situação, segundo classificar e, sem dúvida, vamos pensar em título”, disse Agenor, em entrevista coletiva.
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Nas contas do treinador, nos cinco jogos que restam, o Azulão precisa chegar aos 11 pontos para escapar do rebaixamento e a 12 ou 13 para ter a vaga. “O União tem chances de duas vitórias que podem acontecer, são jogos em casa, e já eliminar a probabilidade, porque restam somente três jogos depois; 11 pontos está fora da Segunda Divisão e com 12 a 13 pontos fica entre os oito, isso é fundamental, tem que ter essas metas pra gente atingir rápido.”
A mesma projeção vale para o objetivo da classificação para a Série D. “São 15 pontos em disputa, a diversidade dos concorrentes não é favorável, mas eu penso que, se a gente conseguir emplacar com sete, nove pontos, tem condição.” O Paraná, 5º colocado no Ranking Nacional das Federações, tem direito a três vagas na Série D — lembrando que clubes como Coritiba, Athletico-PR, Paraná, Operário e Londrina estão em outras divisões.
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Confiança e motivação
Depois da apresentação, Agenor teve uma primeira conversa com o elenco do União, já no Complexo Esportivo Arrudão. O treinador demonstrou estar seguro dos objetivos do clube e transmitiu confiança ao grupo, como ressaltou durante a entrevista: “Vamos trabalhar pra que o grupo se automotive e trabalhe com alegria! Futebol é alegria! Se não tiver alegria no coração, não vai atingir aquilo que você quer.
Transmitir a confiança da qualidade que eles têm, cada um resgatar o seu lado bom de atleta. A escolha do grupo foi feita em prol do atleta e do atleta pro clube, não foi uma casualidade. Tem uma característica que o clube escolheu e tem todas as condições pra colocar nesse atleta que tá meio apagado dentro deles. Vamos buscar confiança pra isso acontecer”.
Como enfrentar o Londrina?
A estreia de Agenor frente ao União será domingo, 16, diante do Londrina, às 16h, no Estádio Anilado. Por coincidência, o adversário é o mesmo de quando, em 2017, o técnico assumiu o Cascavel em situação parecida e evitou o rebaixamento. “A gente conseguiu a vitória por 2 a 0. Tomara que isso se repita. O Londrina também vem de uma reformulação, pode gerar certa instabilidade. Os resultados também estão alternando, então, penso que a gente tem um jogo em casa, a torcida faz uma diferença muito grande nesse momento, porque você tem que buscar a tua determinação, tua força máxima. E nada melhor que uma força vinda da arquibancada, essa energia positiva, pra que todos consigam entrar em campo com esse espírito de luta. O torcedor é fundamental nesse próximo jogo.”
Confira a entrevista completa:
Durante toda a sua trajetória no futebol, quantas vezes o senhor foi convidado a vir para Beltrão?
Agenor – Várias vezes, sempre bom ser lembrado e, no momento que o Ivair me chamou, explanou qual era o pensamento, qual era o objetivo do União, a gente ficou apalavrado que, se tivesse alguma situação difícil no futuro, e acabou acontecendo, eu assumiria. Mas, quando você assume um clube em andamento, é porque alguém saiu e a gente espera poder superar essa deficiência. Nem sempre o treinador é o culpado, mas superar as dificuldades que o grupo tem ou que encontrou e fazer valer o melhor. O União está numa situação não confortável, mas com dois resultados pode estar em uma situação boa. Então, o primeiro pensamento é sair dessa situação, segundo classificar e, sem dúvida, vamos pensar em título.
2019 foi o melhor ano da sua carreira?
Teve vários ano bons. Eu sempre fui chamado para situações como o União está hoje. Felizmente, a gente sempre conseguiu reverter, no mínimo oito clubes do cenário nacional eu tive a oportunidade de pegar em situações iguais, até pior, e conseguimos reverter o caso, eu espero poder corresponder aqui. 2019 foi um grande ano, mas eu tenho 2007, na Chapecoense, o melhor ano da minha vida, nós pegamos a equipe em uma situação difícil financeira, ficar até três meses sem receber salário e uma série de fatores, e a gente conseguiu ser campeão em 2006 na Copa Santa Catarina e 2007 no Catarinense, que foi o marco da história do clube até hoje, então foi um ano maravilhoso lá. E o segundo, sem dúvida, foi o Toledo em 2019, que nós montamos um planejamento para o primeiro turno e tudo aconteceu a nosso favor, tivemos um ano maravilhoso. E no segundo semestre fui convidado para montar um projeto na Arapongas, também subimos para a Segunda Divisão. Infelizmente, outras situações aconteceram lá, acabaram voltando para a Terceira, mas foi um ano profissionalmente muito bom, um ano de aprendizado e alegria não só pra mim, mas para aqueles que torcem pra gente e, principalmente, os familiares.
Nesse começo de trabalho, o que os atletas do União podem esperar, visto que já tem jogos nos próximos dias?
Nós temos que ter uma radiografia do grupo e saber realmente por que esse grupo se encontra nessa situação, valorizar tudo o que foi feito de bom e, o que não aconteceu de bom, tentar introduzir no grupo para que haja um novo despertar. Nós temos que colocar esse grupo para cinco jogos, qualidade eles têm junto com eles, então, de repente, aflorar novas atitudes com foco, ser um grupo que tem atitude forte dentro da competição, saber que são cinco jogos que vão definir uma história de uma cidade, uma entidade, uma paixão de uma torcida e, principalmente, a vida profissional deles mesmos; procurar saber onde está o problema para que a gente devolva a eles a confiança a tranquilidade através do trabalho, para que eles possam realmente resolver esse problema hoje.
Qual é o cálculo que a comissão faz para evitar o rebaixamento?
Você tem que trabalhar em cima de uma análise dos adversários, acho que existem cinco equipes que podem estar rondando o rebaixamento e a tabela vai ser um ponto fundamental pra isso. O União tem chances de duas vitórias que podem acontecer, são jogos em casa, tem a condição de fazer e já eliminar a probabilidade, porque restam somente três jogos depois. Cinco com seis são 11 pontos, estão fora da Segunda Divisão; e com 12 a 13 pontos ficar entre os oito, então eu acho que isso é fundamental, tem que ter essas metas pra gente atingir rápido.
O que motivou o senhor a aceitar esse desafio tão grande?
É que nem eu falei no início, eu tenho galgado na minha história, no meu currículo, ‘n’ equipes com a mesma situação. E os mais próximos aqui são: o próprio Cascavel, que em 2017 tinha 78% de chances de cair, nós conseguimos recuperar e ficar. São pensamentos que a gente tem, já tenho um histórico de trabalhar com equipes assim e isso dá uma certa tranquilidade. Você precisa detectar alguns problemas, trazer solução e fazer trocas pra um resultado positivo. Então, eu tenho plena confiança de que escolhi e escolhi bem.
O primeiro desafio já vai ser sábado, contra o Londrina. Dá tempo de o senhor conhecer o time, se preparar?
Concidentemente, foi como o Cascavel, em 2017. O primeiro jogo foi contra o Londrina e agente conseguiu a vitória por 2 a 0. Então, tomara que isso se repita. Saber que o Londrina também vem de uma reformulação, também pode gerar certa instabilidade, no sentido de ser uma equipe competitiva. Os resultados do Londrina também tão alternando, penso que a gente tem um jogo em casa, penso que a torcida faz uma diferença muito grande nesse momento, porque você tem que buscar, de repente, a tua determinação, tua força máxima. E nada melhor que uma força vinda da arquibancada, que é o torcedor, essa energia positiva, pra que todos consigam entrar em campo com esse espírito de luta. Comparar essa ideia, como eu tenho dito, e se desdobrar dentro de campo pra chegar no resultado. Então, eu penso que o torcedor é fundamental nesse próximo jogo, colocaria aí que ele tem uma importância muito grande. E passar a régua: passado é passado, essa próxima etapa tem que ter crédito, tem que ter incentivo, tem que comparecer. Eu acho que é fundamental que a gente tenha essa força, que é a força da arquibancada, pro jogo ser um sucesso.
Ainda é possível de buscar a vaga pra Série D?
Eu acredito que sim. Acho que são 15 pontos em disputa, a diversidade dos concorrentes não é favorável, mas eu penso que, se a gente conseguir emplacar com sete, nove pontos, tem condição.
O senhor disse que é especialista em times que estavam nessa situação, como é o seu trabalho? O que o senhor acha importante focar nessa situação?
A nossa vida é feita de escolhas, eu tive a escolha de trabalhar com o União na situação que ele se encontra. E o grupo também fez uma escolha, escolheu o próprio União pra trabalhar e se dedicar. Como a diretoria também fez a escolha de trazê-los até o clube. Então, a gente tem que trabalhar em cima desse contexto, fazer eles verem por que estão aqui, qual a importância de cada um e por que é que não engrenou até esse momento. Buscar culpados não faz mais parte, temos que buscar a solução. Vamos trabalhar em cima disso e hoje, na apresentação, trabalhar pra que o grupo se automotive e que trabalhe com alegria! Futebol é alegria. Se não tiver alegria no coração, não vai atingir aquilo que você quer. Transmitir a confiança da qualidade que eles têm, cada um entrar dentro de si e resgatar o seu lado bom de atleta. Eu acho, como disse, que a escolha do grupo foi feita em prol do atleta e do atleta pro clube, não foi uma casualidade. Tem uma característica que o clube escolheu e tem todas as condições pra colocar nesse atleta que tá meio apagado dentro deles. Vamos buscar confiança pra isso acontecer.
O senhor já conhece o time, tem um plano de jogo para domingo?
A gente tem que avaliar, vamos trabalhar hoje e amanhã, no sentido tático, com um preparador físico, pra ter um diagnóstico individual, principalmente da parte física. Num momento igual a esse, a parte física é muito importante. Muitas vezes, você não consegue ter um padrão de jogo definido, mas tem que ter superação. E através da força, da condição física, você consegue a superação. Vamos optar primeiro por essa avaliação, depois ver qual a competência de cada um, a qualidade individual, pra colocar diante do Londrina quem está em melhores condições e buscar o resultado.
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O novo técnico do Clube Esportivo União, Agenor Piccinin, foi apresentado ontem e teve a primeira conversa com os jogadores, transmitindo sua filosofia para a disputa pela classificação no Paranaense.
Fotos: Aline Leonardo/JdeB





