
A partir de 25 de agosto, o União estreia no Campeonato Paranaense da Terceira Divisão. Fazem parte do elenco, com mais de 20 atletas, 11 jogadores do próprio município, além de outros seis selecionados numa peneira. Tem também um estrangeiro. Mas a contratação do Anilado é autêntica: nada de argentinos, paraguaios, uruguaios, tradicionais nos gramados brasileiros. Nada de seguir a moda e trazer português ou francês. A aposta vem de Cuba, um país sem tradição no futebol.
Darian Martinez Perez tem 20 anos. É goleiro e chegou ao Brasil há dois anos com a família. O pai, motorista de ônibus de turismo, e a mãe, arquiteta, vieram em busca de uma vida melhor. Para conseguir sair da nação caribenha, eles compraram passagens aéreas de ida e volta. Desembarcaram no Suriname e, depois, em Curitiba.
“Em Cuba muita gente torce pelo Brasil”
Enquanto o pai arrumou emprego de motorista de Uber e a mãe ainda não conseguiu exercer a arquitetura, Darian tornou seu sonho de criança realidade: jogar futebol profissionalmente. “Meu pai vendeu o carro dele. Lá o dia a dia é complicado. É difícil ter visibilidade no futebol, uma oportunidade profissional em Cuba. Comecei na base, com 14 anos, no Cerro, time do município de mesmo nome, jogando o campeonato provincial. Depois disso fui treinar com uma equipe juvenil da capital, Havana. Era longe pra treinar, uma correria. Sempre sonhei em vir pra cá, o país do futebol, de Ronaldinho, Pelé, Neymar. Em Cuba muita gente torce pelo Brasil.”
Passagem por Blumenau e Irati
Antes do União, Darian atuou pelo Iraty, em 2023, e no início desta temporada passou pela base do Fluminense de Blumenau (SC). Ele tem integra o projeto RCS10, de Colombo. Foi através do agente da marca que o União o contratou. “Eu estava treinando em Curitiba e, do nada, o agenciador fala: ‘você vai se apresentar no União’. Fiz minha mala e disse: ‘vamo que vamo’.”
Conhecendo Francisco Beltrão
O estrangeiro diz que não conhecia Francisco Beltrão e seu novo clube, mas que já sabe da tradição do Anilado. “Sei que foram campeões do Paranaense, que tem uma torcida que gosta da equipe e que os torcedores vão nos assistir. Não vai ser fácil, vão exigir resultado, mas a gente veio pra dar o máximo.”
Trabalhar ao lado de um cubano é novidade para todos no União, mesmo para o preparador de goleiro, que rodou o Brasil como jogador. “Ele é muito dedicado. Eu estava conversando com ele sobre como o futebol é em Cuba e ele me contou que não é profissionalizado. Está sendo gratificante.”
Se Darian será o principal arqueiro beltronense na disputa da Terceirona, Silva diz que a decisão cabe a Niltinho Boiadeiro e Marcos Paraná, técnico e auxiliar. “Eles vão definir quem passa mais segurança.”
Vai pra Cuba
Declaradamente socialista, Cuba sofre desde os anos 1960 com o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. Desde então, o país não realiza transações comerciais e financeiras com o restante do planeta — com exceções, como a China e a Venezuela. O fim da União Soviética em 1991, então principal parceira, se acentuaram os problemas internos dos cubanos. Embora os serviços públicos de saúde sejam referência para o mundo, nas demais áreas a situação é caótica.
As imagens de Havana com carros dos anos 1950 rodando pelas ruas são exemplo disso, já que, com o embargo econômico, o país não pode importar novos modelos e nem tem indústria própria.
Apesar de reconhecer as dificuldades, Darian quer voltar algum dia para a terra natal. “Eu sinto falta da minha vida lá. Minha família, meus amigos estão em Cuba, mas hoje em dia aqui no Brasil está valendo a pena todo esse esforço. Voltaria, sim. Não tem como deixar de lado meu país, minha vida.”
Mas o plano de retornar é para um futuro distante. Por ora, enquanto se encaminha para conseguir a cidadania brasileira, vai se dedicar ao União.




