Quando o Bahia disputou a Libertadores pela última vez, em 1989, Marize Nascimento era uma adolescente de 12 anos. Moradora de Paripe, subúrbio de Salvador, ela ainda não imaginava que, três anos depois, mudaria para o Sudoeste do Paraná, após se casar com o beltronense Ednilson Petry.
“Lembro que meu avô era vivo e muito torcedor do ‘Bahêa’, reunia familiares em roda pra assistir o jogo. Parecia festa. Lembro vagamente. A família era grande e todos moravam meio próximos”, diz.

Apesar de todo esse tempo morando longe da terra-natal, a assistente social não perdeu o apreço pelo clube do coração. Nesta terça, às 21h30, Marize estará em frente à TV para ver o “Bahêa” jogar a Libertadores. O confronto de ida pela segunda fase do torneio, contra o The Strongest (BOL), mete medo. O Estádio Hernando Siles, palco da partida, fica a 3,6 mil metros de altitude. Em 40 confrontos envolvendo clubes do Brasil em La Paz, apenas nove terminaram com triunfo verde-amarelo.
Marize vê o “Bahêa” na TV Beltrão
Com a internet, Marize consegue cultivar melhor o amor pelo Esquadrão. Ouve jogos na Rádio Sociedade e, desde 2024, vê pela TV Beltrão as partidas do Campeonato Baiano. Depois que o clube foi adquirido pelo Grupo City, ela está entusiasmada por novas grandes conquistas. ”Ser torcedora do Bahêa é uma emoção grande, mesmo de longe, vendo nas redes sociais e TV a evolução. Fico emocionada. Nosso povo, nossa torcida têm uma energia diferenciada, vibrante de paixão. Espero que seja um belo jogo, terça.”
Primeiro do Brasil na Libertadores

Apesar de estar há mais de três décadas fora da competição continental, o Bahia foi o primeiro representante do Brasil na Libertadores. Em 1959, o Esquadrão Tricolor venceu a Taça Brasil na final contra o Santos, de Pelé, e se classificou. A competição conquistada, hoje reconhecida pela CBF como Brasileirão, foi criada justamente para definir o brasileiro no torneio sul-americano.
Em 1960, oito clubes disputaram a Libertadores em formato eliminatório. O Bahia caiu logo para o San Lorenzo (ARG), após derrota por 3×0 fora de casa, e triunfo de 3×2 na Fonte Nova. O Peñarol (URU) ergueu a taça na decisão contra o Olímpia (PAR).
Eliminação em 1964
Quatro anos mais tarde, o Bahia retornou à Libertadores. Apesar de ter perdido o título da Taça Brasil de 1963 para o Santos, o clube nordestino se beneficiou do fato do Peixe também ser o detentor da Liberta do ano anterior, herdando a vaga no torneio.
Desta vez, novamente em confrontos eliminatórios, eliminação precoce para o modesto Deportivo Itália (VEN), com empate de 0x0 e derrota por 2×1, em dois jogos disputados na Venezuela.
Ressaca pós-título brasileiro de 88

Em 21 de fevereiro de 1989, dois dias após faturar o bicampeonato brasileiro diante do Internacional, o Bahia comandado por Evaristo de Macedo retornou ao gramado do Estádio Beira Rio. Era a estreia na Libertadores, já com a primeira fase disputada em grupos. E mesmo de ressaca o Esquadrão novamente venceu o Colorado: 2×1. Mais motivo para festa no encontro com a torcida, no dia seguinte, em Salvador.
Na chave de quatro integrantes, três avançavam. O Bahia liderou, seguido por Deportivo Táchira (VEN) e pelo Inter, enquanto o Marítimo (VEN) foi eliminado.
Nas oitavas, classificação sobre o Universitario (PER): 1×1 no Peru e 2×1 no Brasil. Pelas quartas, de novo o Internacional no caminho, desta vez com final feliz para os gaúchos, que venceram em Porto Alegre por 1×0 e seguraram o placar zerado na Fonte. O Colorado caiu na semifinal diante do Olimpia (PAR). O campeão foi o Atlético Nacional (COL).





