Dono de 57 anos de vida — mais de 30 de carreira na imprensa —, “Nini” relembra o começo na TV Beltrão e diz que pretende não trabalhar mais nos finais de semana.

Por Juliam Nazaré – Atração criada antes mesmo da TV Beltrão ir ao ar, o “Debate Esportivo” estreava em 20 de março de 2008, às 19h. No início com duas horas de grade, o programa se consolidou e completa 15 anos como um dos três mais longevos da emissora – atrás somente do “De cara com a imprensa” e “Edição regional”. Atualmente, “dá as caras” entre 21h e 22h.
Ademir Augusto, comandante do “Debate”, comemorou o feito na edição de terça, 21, relembrando momentos e recebendo o carinho de convidados que passaram pela bancada ao longo dos anos. “Nini”, como também é conhecido, recebeu a reportagem do JdeB em sua casa, onde, numa pausa entre os compromissos profissionais – que desde 2022 incluem dois caminhões -, refletiu sobre o momento da carreira e revelou que pretende deixar a reportagem esportiva. Confira:
JdeB: O “Debate Esportivo” surgiu por iniciativa tua ou convite da TV?
Ademir: Eu tinha já quase 20 anos de profissão, entre as rádios Princesa e Educadora, mas foi a primeira experiência em televisão. Antes da TV Beltrão estrear, eu procurei o Valmor Merísio e Rui Machado [diretores] e manifestei a minha intenção de fazer um programa esportivo. Eles demonstraram interesse, também, e nos acertamos. Escolhi a terça-feira porque na época não havia jogos neste dia da semana. O horário mudou algumas vezes: já cheguei a começar o programa às 22h, no período eleitoral. Se a grade da TV Brasil se modifica, a gente precisa se adaptar, também.
Na TV ao vivo, se algo der errado, precisa ser contornado imediatamente. Que situações mais curiosas você já enfrentou ao longo destes 15 anos?
Quando começamos, todos não tínhamos experiência com o gênero. Era 100% amador. O Altamiro Dias, o “Fio”, foi o meu primeiro convidado. Eu imprimi a logomarca do programa e colei na parede. Na metade do bloco, se desprendeu e caiu da parede [risos].

Houve um período de programa diário.
Em 2012, eu fui diretor de Esportes. Depois, criei o “Momento do Esporte”, diário, às 13h. Mas o horário não era legal…pouco tempo, acho que uns 15 anos…eu sozinho…durou uns seis meses. Meio-dia é uma faixa muito disputada pra esporte.
Quais edições do Debate Esportivo mais te marcaram?
Ademir: Todos os convidados são escolhidos a dedo. Mas o programa mais marcante foi quando a Seleção Brasileira de Futsal esteve em Beltrão por 10 dias e veio o treinador e o coordenador-técnico. Na pandemia, eu comecei a homenagear os desportistas da cidade, eu precisava reinventar o programa pra seguir no ar. Com Osmar Tramontina o programa durou mais de três horas. O que arrebentou a boca do balão foi com seu Amélio Mendes, mais de 5 mil pessoas no Facebook.

O Debate Esportivo tem fôlego para mais 15 anos?
O nosso público abrange todas as idades. Sou mais assistido na TV aberta. Recebo muito feedback. Não sei se vou viver mais 15 anos, mas não pretendo parar com o “Debate”. É o meu xodó.
E a aposentadoria da reportagem de partidas
Saí da Onda Sul em 2019. Às 9h saí e, 9h45 estava empregado na Ação TV. Já estamos na quarta temporada e, no fim de 2022, conversando com Adolfo e Luma, pedi pra trabalhar na parte comercial em Beltrão a partir de 2024. Vou parar com a reportagem de jogos. Perdi momentos importantes com a família, com os filhos, por conta de trabalhar no sábado e domingo. Hoje o rádio está diferente do que foi nos anos 1990, que você precisava viajar pra fazer um jogo, se chegasse 5h, tinha que bater ponto às 7h. A pandemia mudou essa realidade e as emissoras praticamente zeraram custos de transmissão. Fazem a transmissão do estúdio. O “Debate Esportivo” vou tocar, mas no sábado e domingo quero ficar em casa.
Os teus maiores companheiros de profissão?
Se tem alguém companheiro, Luiz Carlos Baggio e Henrique Romanini — com quem eu comecei. Adolfo Pegoraro, Everton Leite, Flávio Morcelli, Claudinei Del Ciello, Luiz Carlos Silva, Leandro Souza, Almir Zanetti, Nediro Modanese [Peninha], Artemio Sutille, Neldo Claus, Edecir Gaspar, Alessandro Fassin, João Sancovski, Ademir Trombini, Altair Rios e Arno Ribeiro. Preciso agradecer a todos…TV Beltrão, toda a diretoria…me ajudaram a escrever essa história de trabalho, mas também de muita alegria.





