Sete anos de namoro, 56 de casamento: o amor dos pioneiros Ida e Jandiro

Ida e Jandiro

Hoje vamos contar um pouco da história do casal Jandiro Ossani e Ida de Souza, pioneiros da comunidade do Rio do Mato, em Francisco Beltrão. São muito simpáticos e divertidos. Atualmente, os dois enfrentam problemas pulmonares e precisam de oxigênio suplementar para auxiliar na respiração.

Jandiro nasceu no dia 21 de agosto de 1945, na Linha Carrero, em Lagoa Vermelha (RS). Filho de Cristiano José Ossani e Lúcia Faron, chegou ao Rio do Mato em 1953.

Ida nasceu em Veranópolis (RS), no dia 6 de março de 1947, filha de Júlio de Souza e Amabile Zanini. A família chegou ao Rio do Mato em 1952.

- Publicidade -

Eles eram vizinhos de terra e fizeram a primeira comunhão juntos. Ida conta que Jandiro queria namorar com ela, mas ela não gostava dele. “Hoje chora por mim”, brinca Jandiro. Numa noite, várias famílias voltavam de um terço quando Jandiro se aproximou de Ida e perguntou se podia pegar na mão. “Ela disse: nem pensar”, recorda. Depois de um tempo, começaram a namorar. Se viam aos sábados à noite e aos domingos à tarde. Brigavam bastante. Entre idas e voltas, namoraram por sete anos e meio.

No dia 21 de dezembro de 1968, um sábado de manhã, se casaram na Matriz Nossa Senhora da Glória, com o padre Júlio. Foram de rural para a igreja com o vizinho Jacó Crestani. Naquele dia, 22 casais se casaram. Ida lembra que, dias depois, o padre Júlio adoeceu, foi levado para Curitiba e faleceu logo em seguida.

O casamento teve 40 convidados, apenas familiares. O almoço foi servido na casa dos pais de Jandiro. Carnearam um porco e uma ovelha, e serviram gasosa e cerveja Antarctica.

Durante um ano, moraram com os pais de Jandiro. Depois, construíram uma casa de madeira no sítio onde moram até hoje. Daí nasceram os filhos Rosane, Ronildo, Ronise e Roselaine. O trabalho era braçal, com junta de bois; plantavam milho, feijão e arroz.

Há oito anos, Ida enfrenta enfisema pulmonar, e há cinco anos, Jandiro também passou a ter problemas de pulmão. Com a frequência das quedas de energia, eles mantêm cilindros de oxigênio de reserva. Quando precisam vir à cidade, usam um cilindro menor.

Há três meses, Ida ficou 23 dias na UTI. Todos os filhos foram chamados para se despedir dela — “não tinha mais o que fazer”, disseram os médicos. No hospital, quem ficou foi o filho Ronildo, que foi chamado pelo sistema de som da UPA. Esperando o pior, correu até a UTI e, ao chegar, encontrou a mãe sentada na cama, recuperada. Foi um momento muito emocionante.

Na quarta-feira desta semana, a dra. Jaqueline Salmoria, do Posto de Saúde de Nova Concórdia, fez uma visita domiciliar a eles. “Ficamos muito felizes quando vem a doutora”, diz Ida. “Ela nos atende muito bem.” Durante a semana, quem cuida do casal é a empregada Neuza de Castro, que mora no Bairro Sadia.

A cada final de semana, um dos filhos fica com eles. Neste, é a vez da Rosane, que chegou às 8h30 e levou a Neuza para casa.

Rosane é casada com Antônio Alves Pereira, que há quatro anos sofre de demência e Alzheimer. Neste fim de semana, ela vai cuidar dos três.

Ida e Jandiro sempre foram acostumados a trabalhar o dia todo. Tinham vacas de leite e porcos. Agora, as terras estão arrendadas e o casal mantém apenas algumas galinhas, mas já não consegue cuidar direito.

“Nossos passos são iguais aos passos de lesma”, diz Ida. “Ficamos um olhando para o outro e assistindo televisão”, comenta Jandiro.

Todos os dias, eles assistem à missa de Aparecida e acompanham também o Padre Reginaldo Manzotti. Rosane vai ficar com eles até segunda-feira, às 8h, quando busca novamente a Neuza para cuidar dos pais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques