A fala é um dos fatores que interferem no diagnóstico de autismo

O autismo é a principal síndrome que desencadeia a ecolalia.

A fonoaudióloga Alexandra Paula Francischett destaca a importância da avaliação, porque cada paciente apresenta diferentes necessidades.

Como a fonoaudiologia pode contribuir com o diagnóstico de autismo? “As crianças estão vindo ao consultório cada vez mais cedo e isso é muito importante pro diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhores serão os resultados que a criança vai ter no seu desenvolvimento”, responde Alexandra Paula Francischett, fonoaudióloga, que está cursando pós-graduação em Análise do Comportamento ABA.

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Como a fala é um dos fatores que chama a atenção dos pais, eles acabam procurando um fonoaudiólogo para saber o que está acontecendo que a criança não está desenvolvendo a fala. Nesse caso, Alexandra comenta que é feita uma avaliação detalhada, às vezes são necessárias várias sessões. Se forem aparecendo características que correspondem ao autismo, levanta-se uma hipótese. “Se tem muitos indícios que pode ser autismo, a gente acaba encaminhando pra outros profissionais, como neuropediatra, neuropsicólogo.

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É o neuropediatra que vai poder dar o diagnóstico se é ou não; a fono vai dar a hipótese.”É o caso de Gabriel, de Bom Sucesso do Sul, que em outubro completará 12 anos e desde novinho faz acompanhamento fonoaudiológico. “A Ale (fonoaudióloga) foi fundamental para o desenvolvimento do Gabi. Ela não apenas melhorou ou direcionou a fala dele, mas ensinou ele a falar.

Quando iniciamos as terapias, ele praticamente não se comunicava. O desenvolvimento da fala foi lento, demorado, difícil… mas ela foi persistente, paciente e extremamente carinhosa e conseguiu um excelente resultado com ele.  Só tenho a agradecer por todos esses anos de dedicação ao Gabriel”, diz Lenise Sturm Nunes, mãe de Gabriel. 

Terapias 
“O segredo de uma boa terapia é uma boa avaliação.” Alexandra destaca a importância da avaliação, porque cada paciente apresenta diferentes necessidades, cada um com suas características. Ela optou pelo método ABA (Applied Behavior Analysis), que é a Análise do Comportamento Aplicado, porque é uma das especificações dos neuropediatras. Algumas características se repetem entre os autistas, como o deficit no comportamento social.

Eles tendem a evitar o contato visual; se mostram pouco interessados por pessoas, crianças e atividades diferentes. “É o que a gente diz de estar no mundinho deles, o meio externo não interfere na vida deles; eles não respondem quando são chamados pelo nome; não solicitam ajuda quando querem alguma coisa; não têm interesse em brincar com familiares ou outras crianças, a brincadeira deles é limitada, geralmente se restringe a atos repetitivos, como emparelhar, empilhar ou com alguns estereótipos, como ficar cheirando, lambendo, se balançando, batendo as mãos.” 

Ela explica ainda que o autista pode mostrar interesse no movimento circular da rodinha dos carrinhos ou apresentar fascinação por luzes, sons e movimentos, como o ventilador, batedeira e máquina de lavar roupa. “Podem apresentar atraso na fala ou, quando falam, sua fala pode ser não comunicativa, apenas repetem palavras ou nomeiam os objetos; ainda podem apresentar ecolalia, que é a repetição em forma de eco da fala, ficam repetindo a mesma palavra várias vezes ou uma frase várias vezes, ou a mesma sílaba várias vezes.” 

De acordo com Alexandra, o autismo é a principal síndrome que desencadeia a ecolalia, que pode ser dividida em duas categorias: imediata, que acontece logo no fim da frase, quando já repete alguma coisa; ou a tardia, que é aquela em que fala e depois de um período repete a mesma coisa. 

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