Balão intragástrico: método cirúrgico alternativo para ajudar na perda de peso com segurança
Perder peso não é uma tarefa fácil, dirão os que buscam todos os recursos possíveis na luta contra a balança. São dietas, dicas, exercícios físicos e remédios controlados, que, aos poucos, passam a ter seu uso restrito pelo governo. A nova alternativa, portanto, é apresentada pelo médico Osvaldo Gonçalves Ramos Júnior, do Hospital São Francisco, em Francisco Beltrão. É o balão intragástrico.
A técnica de combate à obesidade prevê a introdução de um balão inflável de silicone no estômago. O paciente recebe apenas uma leve sedação porque todo o procedimento é feito por meio de endoscopia. Depois de introduzido, o balão é inflado com cerca de 500 a 700 ml de soro fisiológico para reduzir a capacidade do estômago e a ingestão de alimentos. O tempo que o balão pode permanecer no estômago é de seis meses.
Segundo Osvaldo, médico do aparelho digestivo, o balão intragástrico é usado principalmente para casos de obesidade mórbida. “Inicialmente tínhamos o tratamento tradicional, que consiste nas diversas dietas, e com o passar do tempo a medicina evoluiu para as cirurgias — hoje existem várias aplicadas em todo o mundo. E agora tem o balão intragástrico.”
Mas a técnica também é ideal para quem não consegue emagrecer com dietas. São aquelas pessoas que não estão tão acima do peso ao ponto de se submeterem a uma cirurgia bariátrica. “São considerados pequenos para um ato cirúrgico tão grande e radical como o da obesidade. O balão vem como método alternativo para atingir esta população que não tem justificativas médicas para se submeterem a uma cirurgia”, diz dr. Osvaldo.
Os riscos são os mesmos de todos os procedimentos médicos. “É como uma pessoa fazer uma endoscopia de estômago”, compara. “A presença do balão dentro do estômago pode causar cólica, azia, náuseas, vômitos. Algumas pessoas podem formar pequenas úlceras. Mas é um método inócuo porque a prótese se adapta muito bem.”
Do ponto de vista médico, pacientes com índice de massa acima de 35 estão indicados para se submeterem à introdução do balão. “Mas pela facilidade, pelo baixo risco, hoje o balão se tornou uma coisa estética. Tem muita modelo que usa balão pra emagrecer”, analisa dr. Osvaldo.
Para as mulheres, o balão é como um simulador de gravidez. “O balão simula uma gestação. A mulher se sente cheia, com enjoo e com cólicas. Mas o período de adaptação é de 15 dias.”
Paciente tem que ser disciplinado
Além de alternativa para candidatos à cirurgia da obesidade mórbida e um complemento para quem deseja perder peso, o procedimento não promove o emagrecimento por si só. “O balão é um método alternativo e complementar de um processo que é trabalhoso porque a pessoa precisa mudar o seu ritmo de vida”, lembra o médico.
Conforme dr. Osvaldo, o balão oferece a saciedade que não se encontra em algumas dietas. “Como o estômago está repleto, o paciente acaba não ficando com aquela ansiedade que desenvolve a fome.”
E com disciplina os resultados são animadores. “O paciente que está há mais tempo tem dois meses, mas todos tiveram um índice de perda de peso considerado satisfatório. Algumas pessoas chegaram a perder 20 kg no mês. Quem perdeu menos, perdeu 10 kg”, conta dr. Osvaldo, que já colocou dez balões em Beltrão.
Outro benefício do balão intragástrico é o fato de não se utilizar medicamentos durante o tratamento. “Consegue-se evitar os ansiolíticos e antidepressivos que normalmente são usados para controlar a fome”, comenta. “O balão faz uma dieta de seis meses. A pessoa emagrece comendo bem, sem sentir fome ou usar remédio.”
Planos de saúde não cobrem o balão
Desde que entrou no mercado brasileiro, o balão intragástrico ainda enfrenta o problema do custo operacional. São poucos os convênios que autorizam a utilização do balão. “Então ele se torna um processo particular. E o custo frente à aquisição da prótese, que é a parte mais cara do processo, está sendo reduzido gradativamente”, adianta o médico. “Conseguimos reduções significativas nos últimos anos com o surgimento das próteses nacionais que são de boa qualidade e que têm dado bons resultados. Estamos trabalhando aqui no Hospital São Francisco para conseguir junto a estas empresas fornecedoras uma redução ao máximo possível. Para que possamos tornar este método mais acessível à população.”




